Hamas anuncia cessar-fogo com Israel após o pior confronto em anos

Por Sakher ABOU EL-OUN con Laurent LOZANO en Jerusalén
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Uma coluna de fogo em um prédio da Faixa de Gaza atacado pelo Exército israelense, em 12 de novembro de 2018

O movimento islamita Hamas e outros grupos palestinos anunciaram nesta terça-feira (13) um cessar-fogo com Israel, alcançado com o patrocínio do Egito, após um dos piores confrontos entre os dois lados desde a guerra de 2014.

"Os esforços do Egito permitiram alcançar um cessar-fogo entre a resistência e o inimigo sionista, e a resistência o respeitará enquanto o inimigo sionista o fizer", anunciaram os grupos em um comunicado conjunto.

Na Faixa de Gaza havia na noite desta terça-feira uma relativa calma, e as escolas, fechadas durante o dia, só devem abrir na quarta-feira.

Após o anúncio do cessar-fogo, milhares de palestinos participaram de manifestações em vários pontos do enclave para proclamar a "vitória sobre Israel".

Por enquanto não foi obtida nenhuma confirmação por parte de Israel, que não costuma comentar anúncios deste tipo. Somente o ministro da Defesa israelense, Avigdor Lieberman, publicou um comunicado para desmentir ter apoiado o cessar das operações israelenses.

No Egito, mediador histórico em Gaza, o Ministério das Relações Exteriores pediu a Israel, em um comunicado difundido depois do anúncio, "cessar imediatamente todas as formas de ações militares".

- Situação muito precária -

Segundo uma fonte diplomática, Israel e Hamas se comprometeram em seguir "as disposições do acordo de 2014" após a violenta guerra deste ano. A fonte, contudo, advertiu que a situação era "muito precária" e poderá eclodir "de novo".

Kuwait e Bolívia solicitaram nesta terça uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para abordar a violência na região.

Desde a tarde de segunda-feira, uma nova escalada de violência em Gaza e nas regiões israelenses próximas trouxe o temor de uma quarta guerra desde 2008 no enclave.

Em menos de 24 horas, ao menos sete palestinos morreram em ataques israelenses, que responderam ao lançamento de centenas de foguetes de Gaza, que deixaram um morto e dezenas de feridos em território israelense.

Entre todas os episódios recentes de escalada da violência, este é o que mais ameaça os esforços da ONU e do Egito para conseguir uma trégua durável entre Israel e Hamas.

Nesta terça-feira, embora prosseguisse o disparo de foguetes do território palestino para Israel, de onde continuavam os bombardeios contra posições militares na Faixa de Gaza, os intercâmbios eram menos intensos.

Durante a noite, dezenas de milhares de israelenses de Ascalon e outras localidades próximas ao enclave estiveram correndo sem parar até os refúgios alertados por sirenes.

Na Faixa de Gaza foram ouvidos durante toda a noite os ataques israelenses, que destruíram vários edifícios, inclusive a sede da televisão do Hamas e escritórios de um serviço de segurança.

O Exército israelense contabilizou 460 disparos de foguetes desde a tarde de segunda-feira. Como resposta, indicou ter atacado cerca de 160 posições militares do movimento islamita Hamas e de seu aliado, a Jihad Islâmica.

- 'Ataque grave' -

Israel enfrenta, "sem dúvidas, os disparos de foguetes mais intensos desde o verão de 2014 (...) e o ataque mais grave por parte de organizações terroristas contras as populações civis israelenses", disse um porta-voz do Exército, o tenente-coronel Jonathan Conricus.

O Exército israelense enviou reforços de Infantaria e veículos blindados, e mobilizou novas baterias antimísseis, embora ainda não tenha apelado para os reservistas, como fez em 2014. Um jornalista da AFP viu tanques que se dirigiam para a Faixa de Gaza.

O Exército israelense e os grupos armados palestinos trocaram ameaças e o braço armado do Hamas, as Brigadas de Ezzeldin Al-Qassam, advertiram que ampliariam seu campo de ação em função da resposta de Israel.

A escalada começou no domingo com uma infiltração das forças especiais israelenses, uma operação que terminou com a morte de um tenente-coronel israelense e de sete palestinos, entre eles um comandante do braço armado do Hamas e vários membros das brigadas Al-Qassam.

Em represália, as brigadas Al-Qassam feriram gravemente um soldado em um ataque com um míssil, o que deflagrou a resposta israelense.

Dezenas de israelenses ficaram levemente feridos, sobretudo por estilhaços, segundo os serviços de emergência. A maioria dos foguetes disparados de Gaza caiu em zonas desabitadas, indicou o Exército, mas alguns atingiram edifícios.

Em Ascalon, faleceu um trabalhador palestino originário da Cisjordânia identificado como Mahmud Abu Asba, de 48 anos.

A Faixa de Gaza vive sob tensão desde março, e pelo menos 234 palestinos morreram desde então. Também faleceram dois soldados israelenses.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reúne amanhã seu gabinete de segurança, um foro limitado que trata das questões mais sensíveis, de acordo com a imprensa.