Moradores de Benghazi expulsam milícias salafistas da cidade líbia

Os moradores de Benghazi, leste da Líbia, conseguiram expulsar de suas bases vários grupos extremistas em combates que deixaram pelo menos quatro mortos.

Centenas de manifestantes conseguiram expulsar de seu quartel-general no centro de Benghazi o principal grupo paramilitar, a milícia salafista Ansar al-Sharia.

Aos gritos de "o sangue dos mártires não foi derramado em vão", os manifestantes entraram no quartel, que foi saqueado e incendiado.

Em seguida, eles partiram para o quartel-general da brigada de Raf Allah al-Sahati, um grupo islamita sob a autoridade do ministério da Defesa, onde foram travados combates até que a brigada abandonasse o local.

Pelo menos quatro pessoas morreram nos combates e 40 foram hospitalizadas.

Os combates incluíram fuzis de assalto e foguetes e duraram cerca de duas horas, até a milícia islâmica decidir abandonar seu QG.

Os manifestantes ocuparam a instalação militar, situada em um sítio na região de Hawari, 15 km do centro de Benghazi, saqueando armas, munições e material de informática.

Horas antes, centenas de manifestantes haviam expulsado o grupo salafista Ansar al-Sharia de seu quartel-general no centro de Benghazi, incendiando o prédio.

O grupo Ansar al-Sharia era acusado de ser o responsável pelo ataque ao consulado americano que deixou quatro mortos, incluindo o embaixador dos Estados Unidos na Líbia, Chris Stevens, no dia 11 de setembro passado.

Antes de expulsar o Ansar al-Sharia, dezenas de milhares de líbios haviam protestado em Benghazi contra as milícias armadas, dez dias depois do ataque ao consulado americano.

As manifestações começaram de forma pacífica, reunindo milhares de pessoas e ofuscando uma concentração de salafistas que protestavam contra um filme ofensivo ao Islã e contra as caricaturas de Maomé publicadas na França.

"Não aos grupos armados", "Sim ao Exército na Líbia", estava escrito nos cartazes exibidos pelos manifestantes.

Outros cartazes apresentavam homenagens ao embaixador americano morto no ataque: "A Líbia perdeu um amigo", "Queremos justiça para Stevens".

O ataque ao consulado americano, efetuado durante um protesto contra o filme anti-Islã produzido nos Estados Unidos, evidenciou a incapacidade das autoridades em garantir a segurança no país, assim como o aumento de poder de grupos islâmicos radicais na Líbia.

Benghazi, segunda maior cidade do país, onde teve início em 2011 a onda de contestação ao regime de Kadhafi, foi palco nos últimos meses de vários ataques contra alvos ocidentais e de assassinatos de autoridades de segurança.

As autoridades líbias advertiram contra o "caos" e pediram aos manifestantes que diferenciem as brigadas "ilegítimas" daquelas que estão sob a autoridade do Estado.

O presidente do Parlamento, Mohamed al-Megaryef, elogiou a reação da população contra as "brigadas à margem da legitimidade".

Mas ao mesmo tempo, pediu aos manifestantes que saiam das áreas ocupadas pelas brigadas do ministério da Defesa e citou Raf Allah al-Sahati, a brigada de 17 de Fevereiro e o Escudo da Líbia.

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