Erdogan afirma que ofensiva turca na Síria poderia afetar tropas dos EUA

Ancara, 13 fev (EFE).- O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, advertiu nesta terça-feira que a ofensiva militar turca no norte da Síria contra as milícias curdas poderia afetar as tropas americanas que apoiam esses grupos na região.

"Obviamente não os atacaremos de forma proposital (as tropas dos EUA), mas eliminaremos todos os terroristas que virmo. Então se darão conta que seria bom para eles não permanecer ao lado dos terroristas", disse Erdogan durante um discurso em Ancara.

O presidente turco se referiu assim às milícias curdo-sírias Unidades de Proteção do Povo (YPG), aliadas dos EUA na sua luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI), mas que a Turquia considera terroristas.

No último dia 20 de janeiro o exército turco iniciou uma ofensiva no enclave curdo-sírio de Afrín, e o governo ameaça ainda ampliar a operação para Manbij, uma região síria sob controle das YPG desde 2016.

Ao contrário de Afrin, em Manbij há soldados da coalizão internacional, liderada pelos Estados Unidos, que apoia as milícias curdas contra os jihadistas.

Ancara pediu repetidamente a Washington que force a retirada das YPG de Manbij, algo que não aconteceu.

"Se uma organização terrorista ataca um país aliado, como membro da OTAN, os EUA devem opor-se", ressaltou o presidente turco, após assinalar que "os EUA não são a OTAN".

O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, visitará Ancara nesta quinta-feira para debater com as autoridades turcas os diferentes pontos de atrito entre os dois países, aliados na OTAN.

Tillerson se reunirá com Erdogan e com o ministro de Relações Exteriores turco, Mevlüt Çavusoglu. EFE