Confrontos na Cisjordânia em manifestação contra a Autoridade Palestina

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Manifestantes enfrentam as forças de segurança palestinas durante confrontos em Ramallah, na Cisjordânia ocupada, em 26 de junho de 2021, para protestar contra a morte de um ativista dos direitos humanos

Manifestantes enfrentaram neste sábado (26) as forças de segurança palestinas na Cisjordânia ocupada no terceiro dia de protestos pela morte de um ativista dos direitos humanos detido pela Autoridade Palestina.

Nizar Banat, palestino de 43 anos, era conhecido por seus vídeos postados no Facebook nos quais criticava a Autoridade Palestina, presidida por Mahmud Abbas, a quem acusava de corrupção.

Sua morte na quinta-feira, horas depois de ser detido pelas forças de segurança palestinas, gerou indignação na Cisjordânia, onde manifestantes pediram a saída do presidente palestino.

No sábado, milhares de pessoas foram às ruas em Hebron e Ramallah, onde a Autoridade Palestina tem sua sede.

Para o ativista palestino Ismat Mansur, a morte de Banat é só "a ponta do iceberg". "Queremos dissolver o governo e celebrar eleições para que o povo possa voltar a eleger seus dirigentes", declarou à AFP.

Em alguns cartazes dos manifestantes, lia-se: "Vão embora".

Em Ramallah, manifestantes atiraram pedras na direção das forças de segurança, que responderam com bombas de gás lacrimogêneo.

Milhares de pessoas compareceram na sexta-feira, em Hebron, ao funeral de Banat, que foi detido na madrugada de quinta-feira na casa de um tio, segundo sua família, que acusa as forças de segurança de tê-lo "assassinado".

O médico legista informou sobre sinais de impactos na cabeça, no peito, no pescoço, nas pernas e nas mãos. Entre o espancamento e sua morte passou menos de uma hora, segundo o doutor Samir Abu Zarzur.

O primeiro-ministro palestino, Mohammed Shtayyeh, anunciou a abertura de uma investigação.

Banat tinha sido candidato independente às legislativas palestinas, que deviam ter sido realizadas em maio e foram adiadas por Abbas sem data prevista.

Oitenta e quatro por cento dos palestinos consideram a Autoridade Palestina corrupta, segundo uma pesquisa publicada em meados de junho pelo Centro de Pesquisas Palestino sobre a Política e as Consultas (PCPSR), com sede em Ramallah.

A Autoridade Palestina tem poderes limitados em cerca de 40% da Cisjordânia, território palestino ocupado pelo exército israelense desde 1967. Israel, que controla todos os acessos, administra o restante deste território, assim como as colônias instaladas ali.

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