ONU diz que atentado contra civis em Aleppo poderia ser crime de guerra

Genebra, 18 abr (EFE).- O Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (EACDH) disse nesta terça-feira que o sangrento atentado de sábado contra o comboio que transportava civis e milicianos de dois povoados na Síria poderia ser um crime de guerra.

"Este atentado contra civis inocentes poderia constituir um crime de guerra", disse, em coletiva de imprensa, o porta-voz dessa agência da Organização das Nações Unidas (ONU), Rupert Colville, acrescentando que ainda não foi possível definir quem foi o responsável pelo ataque.

De acordo com ele, as imagens prévias à ação mostram um homem entregando doces a um grupo de crianças.

"Por enquanto, não posso confirmar se essa pessoa foi quem provocou o atentado ou não, nem o que causou um número tão grande de vítimas menores de idade", ponderou.

Colville acrescentou que, por conta da proximidade no tempo com o suposto atentado com armas químicas em Khan Sheikhoun onde cerca de 90 pessoas morreram, "está claro que as partes em conflito não respeitam as mínimas regras de guerra que estabelecem proteger os civis".

Segundo o Alto Comissionado da ONU para os Direitos Humanos, 96 civis morreram, entre eles 67 crianças, e 120 pessoas ficaram feridas no atentado de domingo. No entanto, conforme as informações apresentadas pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) o número de mortos supera os 100 e o de feridos é de mais de 250.

As vítimas do atentado eram pessoas retiradas dos povoados xiitas de Al-Fu'ah e Kefraya, na província de Idlib, no noroeste da Síria. Dado que o grupo foi especificamente atacado, Colville pediu "mais proteção" nas próximas campanhas de evacuação.

A retirada da população começou na sexta-feira em virtude de um acordo alcançado em março entre o grupo xiita Hezbollah e o Irã - aliados de Damasco - e a facção síria Jaish al-Fath, e foi apoiado pelo Qatar.

As duas localidades estiveram cercadas durante meses por forças opositoras e o acordo de evacuação faz parte de um maior pelo qual também serão retirados combatentes rebeldes e suas famílias das localidades de Madaya e Al-Zabadani, situadas ao noroeste da capital síria e dominada pelas forças governamentais. EFE