Congressista americana compara símbolo de vacinados à estrela amarela dos judeus

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A congressita republicana Marjorie Taylor Greene está sendo criticada por comparar a obrigação do uso de máscaras aos nazistas que obrigavam os judeus a usar a estrela amarela

Uma congressista dos Estados Unidos comparou um logotipo usado por funcionários de um supermercado para indicar que estão vacinados contra a covid-19 com a estrela amarela, símbolo da estigmatização nazista dos judeus, um comentário que lhe rendeu a desaprovação do chefe do bloco republicano.

“Funcionários vacinados recebem um logotipo de vacinação como os nazistas forçavam os judeus a usar uma estrela amarela”, tuitou Marjorie Taylor Greene, uma congressista republicana leal ao ex-presidente Donald Trump.

Em seu tuíte, Taylor Greene publicou uma matéria sobre um supermercado onde os funcionários exibiam um logotipo indicando que estão vacinados contra a covid-19, já que o uso da máscara não é mais obrigatório.

“Passaportes de vacinação e obrigatoriedade de máscara geram discriminação contra os não vacinados”, criticou a legisladora.

Os comentários geraram indignação imediata de vários jornalistas, incluindo uma neta de sobreviventes do Holocausto.

"Nunca comparei ao Holocausto, apenas à discriminação contra os judeus nos primeiros anos do nazismo", se defendeu Taylor Greene em outro tuíte.

"Pare de torcer minhas palavras", disse em resposta ao jornalista do Punchbowl News Jake Sherman, que criticou em sua conta no Twitter: "Não quero dar força a esse ato idiota, mas, como judeu, sinto-me compelido a apontar como isso é nojento. Os nazistas mataram seis milhões de judeus".

Diante da crescente controvérsia, o chefe dos republicanos na Câmara dos Representantes, Kevin McCarthy, falou severamente contra Taylor Greene.

"Marjorie está errada e sua decisão de comparar os horrores do Holocausto com o uso das máscaras é deplorável", declarou McCarthy em um comunicado, acrescentando: "É muito preocupante", sem mencionar que uma sanção está prevista contra ela.

O chefe da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell, descreveu as declarações da deputada como "absolutamente escandalosas", mas disse que a responsabilidade por eventuais sanções cabe aos chefes da Câmara dos Deputados.

A presidente democrata daquela Câmara, Nancy Pelosi, alvo favorito das críticas de Marjorie Taylor Greene, que se opõe à manutenção da obrigação de usar máscaras no hemiciclo, considerou que as declarações da congressista "não têm lugar" nos Estados Unidos, mas não comentou a possibilidade de sua destituição.

"Ela deveria parar de falar", Pelosi simplesmente respondeu aos repórteres.

A covid-19 matou mais de 590.000 pessoas nos Estados Unidos.

Sancionada em fevereiro por declarações polêmicas, especialmente aquelas em apoio ao movimento de conspiração QAnon ou comentários que pareciam incitar a execução de líderes democratas, Taylor Greene não é a primeira a aludir ao nazismo para falar da pandemia.

Em todo o mundo, alguns denunciam uma "ditadura da saúde" com alusões ao nazismo ao expressar sua rejeição às medidas restritivas ou às campanhas de vacinação.

elc/rle/dg/am

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