Congressistas dos EUA investigam caótica retirada do Afeganistão

Congressistas republicanos lançaram, nesta sexta-feira (13), uma investigação sobre a caótica retirada das tropas dos Estados Unidos do Afeganistão, que levou a uma retomada rápida do país pelo Talibã, além da morte de 13 soldados em um ataque.

Michael McCaul, chefe do comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, disse que escreveu ao secretário de Estado, Antony Blinken, solicitando uma série de registros, desde avaliações de inteligência até comunicações com os talibãs.

"É absurdo e vergonhoso que o governo Biden tenha repetidamente negado nossas solicitações de supervisão e continue ocultando informações relacionadas à retirada", afirmou McCaul, um opositor de longa data neste painel do Congresso, que ele preside após a Câmara ficar sob controle dos republicanos.

"Se o descumprimento persistir, o comitê usará as autoridades disponíveis para fazer cumprir essas solicitações, se necessário inclusive por meio de um processo obrigatório."

Soldados americanos foram mortos em um bombardeio em 26 de agosto de 2021, perto do aeroporto de Cabul, enquanto a cidade caía, com o governo entrando em colapso dias depois, apesar dos dois trilhões de dólares injetados ao longo de duas décadas.

Imagens de multidões invadindo aviões estacionados, subindo por cima de aeronaves e alguns se agarrando a um avião militar de carga prestes a decolar foram transmitidas em todo o mundo.

As cenas precederam uma queda acentuada no índice de aprovação de Biden nove meses depois de ele ser eleito ao prometer uma liderança competente após o caos sob o governo de Donald Trump.

Enquanto Trump selou a retirada com os talibãs, o Partido Republicano criticou fortemente Biden por sua condução da operação e prometeu audiências como parte de uma série de investigações sobre seu governo.

O Departamento de Estado não respondeu, a princípio, aos pedidos de comentários da AFP, mas disse ter fornecido mais de 150 sessões informativas a membros do Congresso desde a retirada em agosto de 2021, segundo relatos da mídia americana.

Cerca de 2.500 militares dos Estados Unidos foram mortos na guerra mais longa do país, mas o Talibã não é mais uma prioridade. Em uma pesquisa da Gallup, realizada um ano após a retirada dos EUA, 50% dos entrevistados afirmaram acreditar que toda a guerra foi um erro.

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