Congresso busca aprovação de nova lei agrária em meio a protestos no Peru

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Rodovia Pan-americana bloqueada com pedras, em Viru, 510 km ao norte de Lima, em 4 de dezembro de 2020, durante protesto de trabalhadores por melhorias trabalhistas

O Congresso do Peru tentará neste sábado (26) debater uma nova lei agrária para acabar com os protestos dos trabalhadores rurais por melhores condições de trabalho. Eles estão fazendo piquetes e bloqueando estradas intermitentemente há cinco dias.

A Comissão de Economia do Parlamento, filtro fundamental para se chegar a um acordo sobre um novo regime de trabalho e salário agrário, planeja se reunir virtualmente no sábado de manhã em busca de uma solução para o conflito, anunciou o Congresso.

A sessão virtual foi remarcada para as 9h locais (11h no horário de Brasília) depois de ter sido suspensa na quinta-feira porque a maioria dos parlamentares não compareceu.

"É inaceitável que a sessão virtual da Comissão Econômica tenha sido suspensa por falta de quórum", disse a presidente do Congresso, Mirtha Vásquez, em sua conta no Twitter na noite de quinta-feira.

Enquanto o país aguarda uma solução do Congresso, os manifestantes esperam nas principais regiões agrárias em um clima de tensão.

Na região de La Libertad, no norte do Peru, os bloqueios de alguns trechos da rodovia Pan-americana deixaram dezenas de veículos parados.

Na região de Ica, ao sul, vários trechos da Pan-americana Sul foram desobstruídos desde quinta-feira e 1.300 policiais permanecem no local devido à ameaça de novos bloqueios.

Nos confrontos de terça e quarta-feira, 40 policiais e 11 trabalhadores ficaram feridos, segundo as autoridades. Além disso, 24 trabalhadores foram detidos. A greve já deixou dois mortos desde que estourou.

Os trabalhadores exigem que as empresas agroexportadoras aumentem seu salário de 11 para 18 dólares por dia, mas isso requer um novo regime de trabalho que só o Congresso pode aprovar.

Os protestos recomeçaram na segunda-feira, depois que o Legislativo não conseguiu aprovar no domingo a lei exigida pelos trabalhadores rurais desde o início de dezembro.

Em 4 de dezembro, o Congresso revogou uma lei agrária considerada prejudicial pelos trabalhadores e prometeu uma nova, abrindo caminho para uma trégua.

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