Congresso chileno volta a prorrogar militarização das regiões de conflito mapuche

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Parentes de mapuches feridos em confronto com militares protestam em frente ao hospital onde eles foram internados, na cidade de Temuco, região da Araucanía, sul do Chile, em 4 de novembro de 2021 (AFP/MARIO QUILODRAN, MARIO QUILODRAN)

O Congresso do Chile aprovou nesta quarta-feira (24) um novo pedido do presidente Sebastián Piñera para estender o estado de exceção e militarização que está em vigor há mais de um mês em duas regiões do sul do país afetadas por conflitos com o povo mapuche.

Na Câmara, a disposição foi aprovada com 80 votos a favor, 53 contra e 6 abstenções, enquanto no Senado recebeu 16 votos a favor, 14 contra e uma abstenção. Assim, a medida permanecerá vigente por mais 15 dias, a partir de 26 de novembro.

O estado de emergência, iniciado em 12 de outubro, permite manter a presença militar em Cautín, Malleco, Biobío e Arauco.

A prorrogação desta quarta-feira já é a terceira, em meio ao aumento dos incêndios criminosos na área, onde estão concentradas as comunidades indígenas Mapuche.

“Este estado de exceção não é contra um povo específico, é justamente contra aquelas coisas que incomodam e ferem profundamente o Chile em todas as regiões do país: crime organizado, uso de armas, drogas, narcotráfico, roubo de veículos e madeira”, afirmou o ministro do Interior, Rodrigo Delgado.

Piñera anunciou a militarização dessas regiões em 12 de outubro e já a estendeu uma vez por 15 dias. A nova prorrogação teve de ser solicitada ao Congresso.

A medida foi adotada em meio a um conflito histórico entre o povo mapuche, maior etnia chilena, e o Estado. Os indígenas reivindicam terras que consideram suas por direito ancestral e que foram entregues a terceiros, principalmente empresas florestais e fazendeiros.

A violência se intensificou na região na última década devido à falta de uma solução para o conflito, com ataques incendiários a propriedades privadas e caminhões. Os confrontos também trouxeram à luz a presença do tráfico de drogas e de organizações de autodefesa, assim como operações policiais denunciadas pelos indígenas como armadas.

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