Congresso discute detalhes técnicos da votação do processo de impeachment de Trump

Por Charlotte PLANTIVE
Capitólio, sede do Congresso americano

Republicanos e democratas cerraram fileiras nesta terça-feira (17) antes de uma votação histórica no Congresso dos Estados Unidos sobre o julgamento político do presidente Donald Trump, que está a caminho de se tornar o terceiro chefe de Estado do país a ser submetido a um processo de impeachment.

Menos de três meses após a eclosão do escândalo ucraniano, a Câmara dos Representantes, controlada pela oposição democrata, está pronta para votar se acusa o presidente republicano de "abuso de poder" e "obstrução do Congresso".

A primeira acusação diz respeito ao pedido feito por Trump à Ucrânia para que investigasse seu possível adversário eleitoral em 2020, o ex-vice-presidente dos EUA Joe Biden. Em troca, Trump daria uma crucial ajuda militar para o país que enfrenta uma guerra com separatistas pró-russos.

A segunda acusação se refere à tentativa de bloquear os esforços dos legisladores para investigar as ações do presidente republicano.

O Comitê de Regras discute nesta terça os ajustes técnicos finais. A votação no plenário da Câmara poderá ocorrer na quarta-feira.

Tudo indica que os legisladores votarão de forma partidária, refletindo a profunda divisão da opinião pública.

De acordo com uma pesquisa CNN/SSR, 45% dos americanos querem que Trump seja afastado do cargo (um percentual que sobe para 77% entre os eleitores democratas), enquanto 47% são contra.

Um grupo de parlamentares democratas moderados, eleitos em circunscrições eleitorais ligadas a Trump, disse que apoiará o julgamento do presidente, mesmo correndo o risco de perder eleitores.

"Meus anos de serviço no Exército me ensinaram a colocar nosso país em primeiro lugar, não a política", declarou Mikie Sherrill, congressista por Nova Jersey.

"Sei que minha decisão vai incomodar algumas pessoas, mas fui escolhido para fazer a coisa certa, não a politicamente segura", acrescentou Anthony Brindisi, representante de Nova York.

- Inteligentes -

O julgamento de Trump no Senado provavelmente acontecerá em janeiro. Por enquanto, nas condições políticas atuais, a previsão é de que o presidente seja absolvido na Câmara Alta: seriam necessários pelo menos 67 votos para afastá-lo do cargo, e os republicanos ocupam 53 dos 100 assentos.

O líder republicano na Casa, Mitch McConnell, declarou nesta terça que "a investigação apressada" dos democratas da Câmara, visando à destituição do presidente, é um fracasso e rejeitou a exigência democrata de convocar novas testemunhas.

"Não é tarefa do Senado procurar desesperadamente maneiras de condenar (o presidente). Isso dificilmente seria uma justiça imparcial", criticou McConnell.

Uma vez terminado o julgamento, republicanos e democratas mergulharão novamente na campanha para as eleições presidenciais de novembro de 2020, relegadas a segundo plano neste último trimestre.

E Trump está convencido de que este episódio o beneficiará. Em um tuíte, ele observou que uma pesquisa recente do jornal "USA Today" faz dele um vencedor contra todos os possíveis candidatos democratas.

"É difícil de acreditar ... depois de três anos de caça às bruxas", escreveu. "Mas os americanos são inteligentes, veja nossa economia maravilhosa e tudo mais!", completou.

Consciente do risco eleitoral, a presidente da Câmara, a líder democrata Nancy Pelosi, evitou durante muito tempo os pedidos para abrir um processo de impeachment contra Trump.

Ela finalmente iniciou a investigação no final de setembro, depois de ouvir a denúncia de um informante não identificado sobre suposta conduta inadequada do presidente durante uma ligação telefônica em 25 de julho com seu colega ucraniano, Volodimir Zelenski.

Trump insiste em que o telefonema foi "perfeito". A Casa Branca se recusou a cooperar na investigação, por considerá-la "inconstitucional".

Por essa razão, os democratas acusam o magnata de ter abusado de seu poder para obter ganhos pessoais e de ter obstruído o trabalho do Congresso.