Congresso dos EUA desbloqueia US$ 8,3 bilhões para combater coronavírus

(Arquivo) O senador Patrick Leahy

O Congresso dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira (5) um plano de emergência de 8,3 bilhões de dólares para financiar a luta contra a propagação do novo coronavírus no país.

O Senado votou quase por unanimidade (96 contra um) a favor desse financiamento excepcional, resultado de um acordo entre legisladores republicanos e democratas e que já havia sido votado na quarta-feira pela Câmara dos Representantes.

"O Congresso demonstrou uma capacidade de liderança forte e decisiva contra o novo coronavírus", disse o senador democrata Patrick Leahy, que recebeu com agrado o texto que foi redigido e aprovado por ambas as partes "em nove dias devido à emergência".

O plano visa melhorar a "preparação e resposta do governo" à epidemia, alocando fundos para pesquisa e desenvolvimento de vacinas, tratamentos médicos e diagnóstico, bem como assistência para o desenvolvimento de atendimento médico à distância.

O principal sindicato de enfermeiros do país, o NNU, denunciou a falta de preparo e a falta de equipamentos de proteção adequados, bem como o treinamento insuficiente dos profissionais de saúde em vários hospitais e clínicas para lidar com a epidemia.

O sindicato também criticou a administração da epidemia pelas autoridades federais, que consideram tardias e pouco rigorosas.

Nos Estados Unidos, mais de 180 pessoas foram diagnosticadas com COVID-19, que até agora deixou 12 mortos, segundo uma contagem feita quinta-feira pela AFP a partir de dados de fontes oficiais.

O estado de Washington, no noroeste, é o mais afetado, com mais de 70 casos e 11 mortes.

Em Seattle, sua maior cidade, as empresas de tecnologia Amazon, Google, Facebook e Microsoft pediram que seus funcionários fossem ao teletrabalho para evitar a cantaminação.

Outros grupos restringiram as viagens ao estado de Washington ou Califórnia, onde uma pessoa morreu.

Como as autoridades anunciaram, o coronavírus continua a se expandir por todo o país, com um primeiro caso no Colorado (oeste) e três no pequeno estado de Maryland (leste), nos portões da capital, Washington DC, que até agora não foi atingida pela epidemia de acordo com fontes oficiais.

- A "intuição" de Trump -

Mais ao sul, as autoridades de saúde começaram a realizar análises a bordo de um navio de cruzeiro, "Grand Princess", onde foram detectados cerca de 35 suspeitos de estarem infectados.

O navio, que transporta mais de 3.500 passageiros, foi bloqueado a cem quilômetros da costa da Califórnia.

Um homem de 71 anos que estava viajando naquele navio durante um cruzeiro anterior no México morreu devido a COVID-19.

O "Grand Princess" pertence à empresa Princess Cruises, que também é dona do "Diamond Princess", colocado em quarentena no Japão em fevereiro com mais de 700 contaminados, seis dos quais morreram.

Uma conferência de saúde que deveria reunir mais de 40 mil pessoas em Orlando, Flórida, foi cancelada quinta-feira, quatro dias antes de ser aberta com a presença do presidente Donald Trump.

O governo americano repete que o risco de epidemia no país permanece "fraco".

O secretário adjunto da Saúde, Brett Giroir, calculou a taxa de mortalidade do COVID-19 está entre 0,1% e um máximo de 1%.

Na quarta-feira, Trump criticou o índice de 3,4% apresentado pela OMS, afirmando que sua "intuição" indicava que ele era "falso".

A OMS, no entanto, baseia sua estimativa apenas no número de casos confirmados.

A taxa de mortalidade "é provavelmente maior que a gripe sazonal", que é de 0,1% de acordo com os serviços de saúde dos EUA ", mas certamente não de 2% a 3%", disse Giroir.

Em todo o mundo, a epidemia produziu 97.616 casos conhecidos, incluindo 3.347 mortes em 85 países e territórios, segundo a contagem da AFP.