Congresso do Equador aprova julgamento de impeachment de vice-presidente por caso Odebrecht

Presidente do Conselho de Administração Legislativa (CAL) Jose Serrano fala em coletiva de imprensa sobre impeachment do vice-presidente Jorge Glas, em Quito, no Equador

O Congresso do Equador aceitou, neste domingo (17), abrir o julgamento do impeachment do vice-presidente, Jorge Glas, condenado em primeira instância à prisão por receber propinas da construtora brasileira Odebrecht, aproximando-se da destituição do cargo.

Com quatro votos dos sete integrantes, o Conselho de Administração Legislativa (CAL) - órgão mais alto no Congresso, encarregado de planejar suas atividades - aprovou o processo, que agora será encaminhado à Corte Constitucional. O tribunal tem um prazo de cinco dias para informar se admite ou não o processo de impeachment.

Caso a decisão da Corte seja favorável, o trâmite vai passar à comissão de fiscalização da Assembleia Nacional. Ela também precisa aprovar que a votação seja levada ao plenário.

Glas, que mantém o cargo apesar de estar preso acusado de associação ilícita, poderia perdê-lo se dois terços dos políticos votarem por sua destituição.

O vice-presidente, preso desde 2 de outubro, também pode perder o cargo - para o qual foi reeleito há oito meses em chapa com Lenín Moreno - se for registrada a sua ausência definitiva do posto.

Apesar de afirmar que está fazendo uso de suas férias, o que o governo nega, em 2 de janeiro Glas completa três meses afastado do cargo. Assim, o Congresso pode eleger um vice-presidente de uma lista proposta por Moreno, segundo a Constituição

O julgamento do impeachment contra Glas acontece na mesma semana em que, no Peru, a oposição parlamentar prepara um processo para destituir, por "incapacidade moral", o presidente Pedro Pablo Kuczynski, também acusado receber pagamentos da Odebrecht.

Glas foi condenado em primeira instância na quarta-feira a seis anos de prisão, por ter recebido propinas milionárias da Odebrecht. A condenação lhe torna o funcionário ativo de mais alto escalão na América Latina a ser sancionado pelo escândalo de corrupção da multinacional brasileira.