Congresso inicia debate jurídico para decidir sobre impeachment contra Trump

Por Charlotte PLANTIVE
Donald Trump em Londres em 3 de dezembro de 2019

O Comitê Judicial da Câmara de Representantes dos Estados Unidos inicia nesta quarta-feira um debate jurídico para determinar se as "provas esmagadoras" que os democratas dizem ter reunido contra o presidente Donald Trump justificam a abertura de um julgamento político.

O presidente denuncia uma "caça às bruxas" e considera que não há nada de errado em ter pedido ao presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, para investigar um de seus possíveis rivais nas eleições de 2020, o democrata Joe Biden, e os negócios de seu filho no país.

A oposição democrata, maioria na Câmara Baixa, está convencida que houve abuso de poder para favorecer sua campanha à reeleição, fundamentalmente ao congelar uma ajuda militar de aproximadamente 400 milhões de dólares destinada a esse país em conflito com a Rússia.

Jerry Nadler, que preside o Comitê Judicial da Câmara de Representantes, convidou advogados da Casa Branca para participar da audiência, mas eles se negaram, denunciando um procedimento "injusto". No entanto, se reservaram à possibilidade de intervir posteriormente.

Quatro juristas - três eleitos pelos democratas e um pelos republicanos - detalharão durante uma audiência pública os motivos da destituição citados na Constituição dos Estados Unidos: atos "de traição, corrupção ou crimes e delitos graves".

Esse contexto será menos propício para os testemunhos impactantes ouvidos durante a primeira fase pública da investigação, mas os congressistas republicanos poderão travar uma batalha contra o que classificam de "farsa" criada pelos democratas.

"O presidente não fez nada de errado", disse no domingo Doug Collins, o representante republicano encarregado de impulsionar o contragolpe.

- Interesses pessoais vs nacionais -

A Câmara Baixa iniciou em setembro um procedimento na tentativa de destituir o presidente e confiou ao Comitê de Inteligência a investigação, em cujo relatório concluiu que Trump havia "posto seus interesses pessoais e políticos acima dos interesses nacionais, tentando minar a integridade do processo eleitoral americano e colocando em risco a segurança nacional".

"Os pais fundadores prescreveram um remédio para quando um chefe do executivo põe seus interesses pessoais acima dos do país: a destituição", acrescentaram os autores desse documento de 300 páginas.

A Casa Branca reagiu ao relatório, classificando a investigação de "impostura" e assegurando que não foi encontrada "nenhuma prova" contra Trump.

"Esse relatório não mostra nada além das frustrações" dos democratas, "se lê como as divagações de um blogueiro de pouca relevância que tenta demonstrar algo embora esteja claro que não tem", declarou a porta-voz do governo, Stephanie Grisham.

Segundo a investigação, existem "provas esmagadoras" de que Trump propôs a seu par ucraniano um pacto de benefício mútuo para alcançar seus objetivos. "O presidente condicionou um convite à Casa Branca (para Zelenski) e uma ajuda militar à Ucrânia ao anúncio de investigações favoráveis para sua campanha", diz o relatório.