Rússia acusa Estados Unidos de violação do direito internacional na Síria

Astana, 16 mar (EFE).- O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, acusou nesta sexta-feira os Estados Unidos de dificultarem uma solução pacífica para o conflito na Síria através da "violação de todas as normas do direito internacional".

"(Os Estados Unidos) mediante a violação de todas as normas do direito internacional, violam gravemente a resolução do Conselho de Segurança", opinou Lavrov durante uma reunião em Astana, a capital do Cazaquistão, com seus equivalentes de Irã e Turquia, Mohammad Javad Zarif e Mevlüt Çavusoglu, respectivamente.

"Obviamente, eles querem a partilha da Síria para substituir o regime e criar pequenos principados controlados por atores externos deste grande país do Oriente Médio", acrescentou o ministro russo.

Mesmo assim, Lavrov assegurou que o processo de Astana continuará o seu trabalho "do lado correto do direito internacional" e pediu à coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos que "não proteja os extremistas como ocorre atualmente em Ghouta Oriental".

Essas palavras contradizem a resolução tomada ontem pela Parlamento Europeu, que pede ao regime do presidente sírio Bashar al Assad, e à Rússia e ao Irã, que o apoiam, respeito ao cessar-fogo de 30 dias solicitado pela ONU para pôr fim aos enfrentamentos na região de Ghouta Oriental.

Os eurodeputados pediram respeito à trégua para que a ajuda humanitária possa chegar à região e enfatizaram que "o regime sírio e seus aliados Rússia e Irã são responsáveis pelos crimes atrozes que continuam sendo cometidos na Síria", segundo um comunicado do Parlamento Europeu.

"É evidente que alguns colegas ocidentais tentam preservar o potencial de combate dos terroristas. O constante bombardeio de Damasco e o bloqueio dos comboios com ajuda humanitária provocam acusações desmedidas às autoridades sírias e russas. Apesar de todo o exagero feito em torno da situação em Ghouta Oriental, seguimos trabalhando para ajudar as autoridades sírias", disse Lavrov.

Em um tom mais conciliador, o ministro das Relações Exteriores do Cazaquistão, Kairat Abdrakhmamov, pediu a Washington e Moscou um "diálogo construtivo" sobre a paz na Síria.

"A estreita cooperação das duas forças irá satisfazer os interesses de todos os países ", disse Abdrakhmanov.

Os ministros das Relações Exteriores dos três países garantidores do cessar-fogo na Síria adotaram uma declaração conjunta após a reunião de hoje para "continuar ajudando os sírios na restauração da unidade do país e na busca de uma solução política", segundo Lavrov.

Os chanceleres também chegaram a um acordo para realizar uma nova rodada de negociações do Processo de Astana sobre a paz na Síria em meados de maio.

A oitava e última rodada de negociações de Astana sobre a paz na Síria, que contou com a participação de representantes do regime de Assad e de grupos da oposição síria, aconteceu em 21 e 22 de dezembro.

Essa rodada concluiu com a convocação de um congresso de diálogo nacional sírio, que foi realizado no fim de janeiro na cidade russa de Sochi e no qual estipulou-se a criação de uma comissão constitucional sob mediação da ONU. EFE