Conheça algumas ações adotadas por impérios de cosméticos e marcas artesanais em prol da sustentabilidade

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O que têm em comum grandes marcas de beleza, com distribuição em todo o mundo, com empresas menores, artesanais, que surgiram recentemente? Companhias como Natura e The Body Shop são precursoras quando o tema é sustentabilidade. Do caminho pavimentado por elas e graças à revolução que está em curso — em que ingredientes naturais, fórmulas limpas, responsabilidade social e fortalecimento de produtores locais são demandas — vieram AmoKarité, Biossance, Care Natural Beauty e Lola Cosmetics.

Especialista em gestão de resíduos sólidos e fundador da Oceano Resíduos, Rafael Zarvos decifra alguns rótulos. “O cosmético orgânico deve conter pelo menos 95% de matérias-primas orgânicas e precisa ser certificado”, diz. Sobre os veganos, ele orienta. “A empresa que cria o produto não pode fazer o teste final em animais, assim como os fornecedores de insumos.” Rafael ainda lista algumas substâncias proibidas em produtos “naturais”. “Corantes sintéticos, fragrâncias sintéticas, silicones e derivados de petróleo, entre outas.”

AmoKarité

Duas mulheres estão à frente da AmoKarité: a administradora e expert em sustentabilidade carioca Clara Klabin e a publicitária paulista Estephanie Racy. A marca nasceu em 2019 quando Estephanie se tornou vegana e consumir maquiagens tradicionais passou a não fazer mais sentido. “Me dei conta de que a minha necessidade era também a de muitas outras pessoas”, lembra a empresária. No começo deste ano, Clara se uniu à empreitada. Grande parte dos cosméticos da AmoKarité é sólida — o que por si só já é uma vantagem por não deixar resíduos quando termina — e as fórmulas são todas veganas. A linha conta com sete tonalidades de bases e quase 30 de multifuncionais sólidos.

O processo de produção é 100% artesanal e a fábrica está localizada em Gonçalves, Minas Gerais. “A sustentabilidade está em tudo. As formulações são totalmente naturais, de fontes vegetais e minerais, como plantas, frutas e rochas”, diz Clara. As embalagens seguem o mesmo caminho. “Os produtos sólidos e pastosos, que podem ser usados como blush, sombra e batom, passarão a ser envoltos em papel certificado. Já a base líquida virá em embalagens de vidro e madeira. Até 2022, seremos plastic-free”, comemora Clara. Além da beleza, o que está em jogo para a dupla de empresárias é a saúde. “Das pessoas e do planeta”, ressalta Estephanie.

Natura

A Natura é pioneira no setor quando o assunto é sustentabilidade. Fundada em 1969, a multinacional conta hoje com mais de 1.8 milhão de consultoras na América Latina. Em 2014, recebeu a certificação de empresa B (concedida a companhias que unem o lucro à preocupação com o bem-estar da sociedade e do meio ambiente); em 2018, conquistou o selo The Leaping Bunny, dado pela organização de proteção animal Cruelty Free International.

O posicionamento ganhou ainda mais visibilidade com o nascimento, em 2001, da Natura Ekos. Em 2021, a linha foi relançada com fórmulas biodegradáveis e Gisele Bündchen assumiu o posto de embaixadora. Cabe à top ativista ambiental reforçar a causa Amazônia Viva, lançada pela marca em 2019. “Queremos mostrar que é possível criar produtos excepcionais em performance ao mesmo tempo em que estabelecemos modelos de negócios que geram impacto positivo para toda a sociedade”, diz Andrea Alvares, vice-presidente de marca, inovação, internacionalização e sustentabilidade da Natura.

The Body Shop

Em 1989, a The Body Shop deu um passo à frente no universo dos cosméticos ao criar uma campanha contra os testes em animais. Neste ano, a empresa inglesa — fundada por Anita Roddick, em 1976, em Brighton, e hoje parte do Grupo Natura & Co — anunciou que será 100% vegana até 2023 com certificação da The Vegan Society, que vai ter a missão de avalizar cada uma das 3.700 matérias-primas utilizadas em seus produtos. “Veganismo é um passo importante para os nossos esforços sustentáveis e ambientais”, diz o diretor global Lionel Thoreau. Outro destaque: o programa Comércio Justo com Comunidades, lançado em 1987, na qual a empresa firma parceria com pequenos produtores ao redor do mundo.

Biossance

A Biossance já chegou ao mundo tremulando a bandeira da clean beauty. A marca norte-americana, lançada no Brasil em 2018, é derivada de um grupo de biotecnologia fundado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, chamado Amyris. Um dos maiores avanços foi o fato de os cientistas terem recriado, a partir de uma molécula da cana-de-acúcar brasileira, o esqualano, óleo presente no fígado de tubarões e usado em hidratantes. Com isso, mais de 2 milhões de peixes foram preservados por ano. “Sustentabilidade, beleza limpa e eficaz fazem parte do nosso DNA”, afirma a diretora da empresa para a América Latina, Camila Farnezi.

E tem mais: as fórmulas de séruns, óleos e protetor solar são desenvolvidas em um laboratório certificado, que garante boas práticas em relação ao uso de energia, água e resíduos. Até 2025, a marca planeja se tornar zero waste (ação de reduzir a quantidade de lixo produzida a zero).

Lola Cosmetics

Quem entra no site da marca Lola Cosmetics já é logo avisado. “Aqui não tem sulfatos, parabenos, silicones insolúveis, parafina e derivados de animais”. Fundada há dez anos no Rio pela empresária gaúcha Dione Vasconcellos, a marca de produtos capilares se destaca pela comunicação visual bem-humorada e pela intenção de reduzir os impactos. Vegana, assim como Dione, cruelty free e com selo clean beauty, a empresa aposta agora em produtos em barra. Depois de lançar xampus e condicionadores, apresenta máscaras capilares sólidas. Sem água na composição, os produtos evitam o desperdício e aumentam a durabilidade. As embalagens, por sua vez, são recicláveis, de papel biodegradável e compostável. “Temos compromisso com uma agenda de sustentabilidade desde a nossa fundação”, declara Dione.

Care Natural Beauty

Patrícia Camargo e Luciana Navarro, sócias fundadoras da Care Natural Beauty, baseiam a marca em três pilares: sustentabilidade, alta No mercado desde 2018, a empresa já surgiu on-line e alinhada com os conceitos da clean beauty. “Não faria sentido lançar mais uma empresa. A gente quis criar algo que melhorasse as condições do mundo e as opções do consumidor”, observa Luciana.

No portfólio, estão produtos de maquiagem, como blush e batom, e de skincare. Os cosméticos são livres de toxinas e componentes químicos e têm a garantia do selo IBD (a maior certificadora de produtos orgânicos e sustentáveis da América Latina). A empresa também estabeleceu parceria com ONGs, como a Orienta Vida, cujas alunas confeccionam os nécessaires encontrados no site da marca: a renda obtida com a venda é revertida à instituição, que capacita mulheres em situação de vulnerabilidade.

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