Conheça Alvin, o raríssimo tamanduá–bandeira albino encontrado no MS e acompanhado por junta de pesquisadores

Pesquisadores do Mato Grosso do Sul (MS) localizaram um raríssimo tamanduá-bandeira albino e passaram a acompanhar seus passos nos últimos cinco meses. Esse é apenas o segundo registro da história de um animal dessa espécie com essa desordem genética.

O filhote, batizado como Alvin, recebeu um colar de monitoramento via GPS dos pesquisadores do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS). O objetivo é compreender como será a adaptação deste animal, com características incomuns, em vida livre, no Cerrado.

O albinismo limita a produção de melanina, gerando animais com pelagem de coloração clara ou aloirada. Os tamanduás-bandeira normalmente possuem uma pelagem marrom-acinzentada com uma grande faixa preta nas costas.

Essa coloração é de extrema importância para a sua sobrevivência, pois ajudam na sua camuflagem contra possíveis predadores, e também ajudam a filtrar os raios solares, proporcionando um conforto térmico e protegendo estes animais do sol e calor típicos do Cerrado.

Os dois tamanduás-bandeira albinos foram localizados na mesma fazenda na cidade de Três Lagoas. O primeiro foi encontrado pela Polícia Militar Ambiental (PMA) em agosto de 2021 e, pouco tempo depois, os pesquisadores do Icas o encontraram morto com sinais de predação.

— Quando nós chegamos lá, ele já estava em óbito, mas conseguimos coletar amostras genéticas que foram enviadas para a análise em laboratório. E agora, um ano depois, apareceu uma fêmea com um filhote pequeno nas costas e que também apresentava características de albinismo e dessa vez, conseguimos chegar até o animal para colocar um colar de monitoramento e isso vai possibilitar a realização de um estudo inédito sobre essa característica rara nestes animais — afirmou a médica veterinária, Débora Yogui, .

Desde que foi localizado em setembro do ano passado, Alvin já dobrou de peso (de 5kg para 12kg) e saiu das costas da mãe. Agora, anda sozinho, mas sempre na mesma área que ela.

A suspeita é que o primeiro indivíduo albino da espécie fosse irmão de Alvin. O material genético de ambos está sendo analisado para confirmar a teoria. A ideia é tentar entender como um evento tão raro pode ter acontecido duas vezes no mesmo lugar em um período tão curto.

Nina Attias, bióloga e pesquisadora do ICAS, explica que além das características genéticas, o estudo irá avaliar como o fato de ser albino influencia o comportamento e a saúde do animal. Todos os tamanduás são naturalmente sensíveis a temperaturas extremas e precisam de áreas com vegetação mais densa para se abrigar de frio ou calor extremo. Isso pode ser um desafio ainda maior para um tamanduá albino vivendo no Cerrado – bioma que mais sofre com o desmatamento de suas áreas nativas, diminuindo drasticamente o habitat da fauna silvestre.

— Existe uma teoria ecológica que diz que os bichos albinos de vida livre tendem a ser menos adaptados à natureza, por isso, optamos por realizar um estudo de monitoramento que irá nos possibilitar compreender se de fato eles são mais suscetíveis ao sol, calor, frio e predadores e entender mais sobre o comportamento e as necessidades destes indivíduos raros. Mesmo sabendo que ele corre vários riscos, nós não podemos interferir na vida deste animal de forma direta, pois estaríamos influenciando nos processos ecológicos naturais e, como conservacionistas, sabemos que isso não é bom para as espécies ou para o ambiente — disse a pesquisadora.

O ICAS - Instituto de Conservação de Animais Silvestres, realiza desde 2017, estudos de conservação e monitoramento de tamanduá-bandeira no Cerrado de Mato Grosso do Sul (MS) através do projeto Bandeira e Rodovias, elaborando medidas de mitigação com o objetivo de evitar colisões veiculares da fauna silvestre nas estradas do estado. Saiba mais em www.icasconservation.org.br ou entre mande um e-mail para contato@icasconservation.org.br para mais informações e/ou solicitar entrevistas ou mais conteúdo de imagem e/ou vídeo.