Conheça a estratégia do Catar para formar uma seleção só com jogadores de times do país

Estreante em Copas do Mundo, a seleção do Catar apostou em convocar apenas jogadores que atuam em times do próprio país. Com a vaga garantida por ser a sede desta edição, os catari vêm trabalhando há 12 anos para montar uma equipe capaz de cumprir a missão de não repetir o feito da África do Sul, último país-sede a ser eliminado na fase de grupos da competição.

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Metade dos atletas convocados veio de um único time. Dentre os 26 jogadores da equipe, 13 atuam no Al-Sadd Sports Club, fundado em outubro de 1969 e maior campeão catari, com 55 títulos nacionais. Com isso, o clube só fica atrás de grandes potências mundiais que mais cederam jogadores para o Mundial, como Barcelona, que concedeu 17 esportistas, Bayern de Munique, Manchester City, com 16 cada um, e Manchester United, com 14.

Em contraste com a seleção catari, o Brasil levou para a Copa só três jogadores que atuam no país: o goleiro Weverton, do Palmeiras, e o atacante Pedro e o meio-campista Éverton Ribeiro, ambos do Flamengo. A seleção brasileira não disputa um Mundial com maioria dos jogadores atuando no país desde 2002. A última vez em que o Brasil teve 100% de seu elenco formado por atletas que jogam em times brasileiros foi há mais de 40 anos, em 1978.

No Catar, a naturalização de jogadores nascidos em outros países também foi parte da estratégia na preparação para a Copa. O Catar “importou” alguns nomes de destaque de seu elenco, como Bassam Al-Rawi, que nasceu no Iraque. O zagueiro tem um grande poder ofensivo na bola parada, uma das possibilidades de gol para o país.

Outro ponto importante para que o técnico, Félix Sanchez, conseguisse formar uma seleção foi a Aspire Academy. O centro de formação esportiva foi criado em 2004 — custou U$ 1,3 bilhão ao governo catari, com o objetivo de formar atletas de ponta para o país. O treinador deixou a base do Barcelona em 2006 para se juntar ao projeto que alçou o Catar da 93ª posição do ranking da Fifa no fim de 2018 ao 50º posto atualmente.

Por meio dos programas de financiamento governamental, a academia captou diversos jovens talentos em países em desenvolvimento, levando-os para treinarem em Doha, também concluindo a formação escolar por lá.

Com o passar dos anos, os jogadores foram sendo distribuídos aos clubes do Catar e ganharam nacionalidade catari, o que lhes deu a oportunidade de defender a seleção nacional. Foi o caso de um dos principais atacantes da seleção, Almoez Ali, nascido no Sudão.

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A estratégia catari não foi eficaz para evitar uma derrota na estreia do Mundial, quando o time da casa perdeu por 2 a 0 para a seleção do Equador. Foi a primeira vez na história que um país-sede foi derrotado na abertura de uma Copa — algo que não aconteceu nem com a África do Sul, tida como exemplo negativo pelos cataris. A seleção dos donos da casa terá hoje nova chance de mostrar que o investimento não foi em vão. O Catar enfrenta o time de Senegal, às 10h, em Al Thumama.