Conheça história de quando Maradona fez campanha por justiça após morte de jornalista na Argentina

Assim como Tim Lopes, assassinado no Complexo do Alemão em 2002, e Dom Phillips, desaparecido na Amazônia desde o dia 5, a Argentina também tem um caso marcante de atentado contra a liberdade de imprensa. José Luis Cabezas foi morto em 1997 - ele produzia reportagem investigando a vida do milionário empresário Alfredo Yabrán. O caso chocou o país e as investigações sobre a morte contaram com o apoio ativo de Diego Armando Maradona.

O atacante havia sido fotografado por Cabezas um ano antes, em campanha antidrogas da qual o jogador, dependente químico, aceitou participar. Maradona, que durante toda a carreira teve problemas com jornalistas que faziam de tudo para descobrir detalhes sobre sua vida, incluindo seus vícios, foi para a linha de frente nas manifestações que ocorreram pelo país depois que Cabezas foi morto.

A pressão maior foi sobre o então presidente argentino Carlos Menem. Yabrán tinha relações próximas com o chefe de estado e Maradona cobrou que o crime fosse investigado com vigor.

Além das entrevistas, participou de homenagens ainda como jogador, no fim de sua carreira, com a camisa do Boca Juniors. Dois anos antes de morrer, em 2018, Maradona relembrou o caso nas redes sociais, 21 anos depois.

As autoridades argentinas descobriram que efetivamente Yabrán foi o mandante do assassinato, cometido por um grupo de criminosos composto até por policiais. Depois de período foragido, o empresário é encontrado, mas antes de ser preso, comete suicídio.

Até mesmo Maradona, que em 1994 chegou a mandar que funcionários e amigos abrissem fogo com armas de ar comprimido contra jornalistas que faziam plantão em frente à sua casa, reconheceu a gravidade da morte de um jornalista no exercício do trabalho.

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