Conheça as histórias do luxuoso Baile do Copacabana Palace, a 'noite de Oscar' carioca, que ficou para o ano que vem

Ludmilla de Lima
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RIO — Em 1959, Jayne Mansfield "causou" no carnaval carioca ao quase ficar nua no Baile do Copacabana Palace. Um folião mais atrevido abriu o fecho-éclair de um dos maiores símbolos sexuais do cinema, enquanto ela sambava já de madrugada no meio do Golden Room. Resultado: acabou sendo clicada segurando o vestido, com cara de susto. Mais recentemente, um xeique árabe atraiu olhares ao chegar à festa com suas 22 mulheres (e cada uma com sua ama), que deram trabalho aos estilistas de plantão no ateliê de fantasias de luxo instalado no hotel. Também já passaram pelo tapete vermelho do Copa durante a folia furacões como Brigitte Bardot e Gina Lollobrigida, galãs como Gerard Butler e Rodrigo Santoro, nomes da moda como Christian Laboutin, além de um sem número de milionários de toda parte — como russos e americanos —, que se esbaldavam em meio a integrantes da alta sociedade carioca, inebriados com muito champanhe gelado. Completando o clima hollywoodiano, tinha a "turma do sereno": anônimos que, ávidos por fotos e prontos para bater palmas na passagem das celebridades, faziam ponto na porta do icônico endereço, sempre no sábado de carnaval.

O Baile do Copa era a nossa "noite de Oscar" até a chegada da pandemia, que cancelou todo o carnaval. A administração atual do hotel — a cargo do grupo LVMH, da marca Louis Vuitton, que comprou a rede Belmond — garante que no ano que vem ele estará de volta, para alívio de quem não perde um. A cantora Eliana Pittman vai à festa desde 1962, quando ainda era menor de idade e entrava na companhia dos pais. Admite que já namorou "muito" por lá ("graças a Deus", diz), onde afirma ter cruzado com muitas personalidades internacionais, do príncipe Albert de Mônaco ao escritor Gabriel Garcia Marquez.

Na manhã de domingo, não houve a tradicional ressaca da noite de gala mais esperada do Rio, que costumava ser curada por muitos à beira da piscina do hotel. Mas não faltam histórias para contar.

— O baile antigamente ocupava todos os salões, não só o Golden Room. Jorginho Guinle, que era o grande relações públicas do Copa, trazia artistas incríveis de Hollywood. É o melhor baile que conheci na minha vida, com champanhe e comida a noite toda — diz Eliana, que no final dos anos de 1990 passou a ser a cantora da noite, emprestando, inclusive, sua voz a músicas criadas especialmente para a festa por compositores como João Roberto Kelly.