Conheça Leonidas Iza, o líder do movimento indígena que está sacudindo o Equador

AP - Dolores Ochoa

O presidente do Equador, o direitista Guillermo Lasso, evitou um processo de destituição no Congresso na terça-feira (28). Mas a situação continua tensa no país, onde protestos por melhores condições de vida tomaram as ruas há mais de duas semanas. Um dos pilares desta contestação é Leonidas Iza, chefe da poderosa Confederação das Nações Indígenas (Conaie) e personalidade emblemática do movimento.

Vestido com seu poncho vermelho, Leonidas Iza estava diante dos representantes do governo na segunda-feira (27), após duas semanas de protestos. Acusado de promover a interrupção de serviços públicos pelas autoridades equatorianas, ele se tornou em poucos dias um ícone dos indígenas do país. Principalmente após ter conseguido fazer com que o presidente Guilhermo Lasso recuasse diante das manifestações e anunciasse uma redução de 10 centavos de dólar no preço do diesel.

Iza pede desde o início dos protestos uma baixa de 40 centavos de dólar no combustível. Mas o gesto do governo foi visto como uma vitória, já que o anúncio foi acompanhado de uma lista de dez medidas concretas para ajudar as populações rurais diante do aumento do custo de vida no Equador.

Aos 40 anos, esse filho de uma família modesta da etnia quéchua foi o único a frequentar a universidade. Nascido na região do vulcão Cotopaxi, no sul do país, ele seguiu os passos de seu pai, José María Iza Viracocha, que liderou várias manifestações na década de 1990. Mas Iza, que se engajou desde jovem no movimento pelos direitos indígenas, também diz ter como modelos Dolores Cacuango e Tránsito Amaguaña, duas pioneiras na luta pelos povos originários do Equador.

Anticapitalista e militante desde jovem

Abertamente anticapitalista, ele ficou conhecido do grande público em 2019 quando participou, junto com Jaime Vargas, dos protestos populares que, na época, já contestavam o preço dos combustíveis. O então presidente equatoriano, Lenin Moreno, teve de renunciar diante da pressão vinda das ruas.

Desde então, o nome de Iza vem sendo mencionado como potencial candidato à presidência pelo partido indígena Pachakutik. Nas últimas eleições em 2021, no entanto, o representante da legenda foi Yaku Pérez, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, com 19,39%, logo atrás de Lasso, que obteve 19,74%.

Mesmo derrotado nas urnas, o movimento indígena ganhou cada vez mais peso no tabuleiro político do país e Iza se tornou uma pedra no sapato do governo.

À frente do Conaie há menos de um ano, ele tem uma ambição clara: dar novamente aos povos indígenas o papel que desempenhavam no país nas décadas de 1990 e 2000. Durante esse período, três chefes de Estado equatorianos não aguentaram a pressão das organizações indígenas e tiveram que pedir demissão.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos