Conheça a nova geração de nutricionistas que avalia o comportamento da paciente e nunca prescreve dietas restritivas

Kamille Viola, especial para O GLOBO
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André Mello

RIO - Eles defendem a existência de políticas públicas que permitam à população o acesso a uma alimentação saudável e chamam a atenção para a importância dos recortes de classe, gênero e raça ao se falar em nutrição. Avessa a dietas restritivas e a receitas milagrosas para o emagrecimento, uma nova geração de nutricionistas adeptos da abordagem comportamental vem utilizando as redes sociais para incentivar as pessoas a ter uma relação melhor com a comida, sem demonizar alimentos ou culpabilizar os indivíduos.

— Tem muita gente falando sobre nutrição, alimentação e saúde nas redes sociais e que, às vezes, não tem nem formação para isso, ou passa as informações de uma maneira superirresponsável. O papel dos nutricionistas e de outros profissionais é levar conhecimento de qualidade e com evidência científica, de forma consciente — diz a nutricionista Fernanda Imamura, de São Paulo.

Embora o estudo do comportamento alimentar leva em conta aspectos fisiológicos, sociais, culturais e emocionais da alimentação, e não apenas o peso do paciente. Entre as técnicas utilizadas pelos profissionais, está o mindful eating (comer com atenção plena). Eles também defendem que não existem alimentos proibidos e que restrição leva à compulsão, entre outras coisas.

O nutricionista Erick Cuzziol, que atende em São Paulo e São Caetano do Sul (SP), busca levar seu conhecimento para ajudar a combater essa forma de discriminação. Para ele, embora a obesidade seja considerada uma doença, ela ainda é vista como “falta de vergonha na cara”.

— Ainda se enxerga a obesidade como um comportamento, uma falha de caráter. Então, quando eu recebo um paciente obeso, sempre tento mostrar para ele que é uma condição crônica e que ele não pode pensar: “Agora eu vou emagrecer X, Y ou Z curei, acabou.” Não. Essa pessoa precisa de qualidade de vida. Precisa, de maneira progressiva, sentir benefícios. Por exemplo: “Minha disposição melhorou”, “Meu sono melhorou”, “Eu não estou tendo mais tanta vontade de doce”. — afirma.

Gabriela Vilasboas, de Guanambi (BA), chama atenção para a importância de uma nutrição antirracista, ou seja, que leve em consideração o recorte racial e combata o racismo estrutural também nas questões que impactam o acesso à comida. A nutricionista afrima que as casas comandadas por pessoas pretas têm um percentual de apenas 15,8% de segurança alimentar, enquanto as chefiadas por pessoas pardas totalizam 36,9%. Já nos lares comandados por pessoas brancas, o percentual de segurança alimentar chega a 51,5%.

— Onde é que está a maior parte das pessoas negras nas cidades? Nas zonas periféricas, onde os alimentos in natura, as verduras e as frutas, chegam com maior dificuldade. Quando a gente fala em cultura alimentar africana, as pessoas imaginam, por exemplo, o acarajé. Mas não é só isso. Ela é riquíssima em frutas, verduras e raízes. — pontua.

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