Conheça o diretor e roteirista Pedro Henrique França, que comanda a produtora Representa, com foco na diversidade

Lívia Breves
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Divulgação

90468094_El - Pedro Henrique França e a produtora Representa.jpg

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“Cavar o meu espaço sempre foi a minha luta”, conta o jornalista, roteirista e diretor Pedro Henrique França, de 35 anos, deficiente físico, gay e fundador da Representa, produtora cultural focada em diversidade que toca ao lado de Nathália Ribeiro, Luiz Wachelke e Cléa Ferreira.

“Criamos projetos audiovisuais dedicados a contar histórias que constroem um diálogo na sociedade por meio de empatia, afeto e amor. Quero destacar a importância da representatividade e naturalizar corpos e escolhas”, explica ele, que acaba de receber três prêmios no Los Angeles International Music Video Festival, com clipes das cantoras Tulipa e Liniker. “Pedrinho é meu amigo querido. Agora também fazemos clipes e virou um diretor premiado por conta de seu olhar, talento, entrega e por amalgamar em sua arte a luta por direitos iguais para todas e todos”, elogia Tulipa.

Pedro mede 1,40m por causa de uma síndrome que afetou o seu crescimento e se assumiu gay há alguns anos. Foi com o clipe de “Pedrinho” (2018), de Tulipa, que estreou no mundo do “cinema com música”, assinando a direção e também atuando. “Convivo com o preconceito desde antes de saber o significado da palavra. Sou um sobrevivente. As pessoas me olham, comentam e dão risada. Cresci com o bullying e sei que nunca acabará. Lido bem, mas já foi muito doído. Agora, quero naturalizar os corpos diferentes do padrão e, por isso, coloco o meu a serviço, como foi no clipe da Tulipa”. A Representa nasce de um desejo de criar filmes que despertem beleza no meio de tanto ódio. “Quanto mais amor e liberdade a gente produzir e inspirar pessoas mais feliz eu vou ficar”, diz ele.

Pedro assina ainda clipes para nomes como Letrux, Majur e Illy, além de ter trabalhado em roteiros de programas como a série documental premiada “Quebrando o tabu” (GNT), o programa “Que história é essa, Porchat?”, campanhas de moda e séries políticas e LGBTQ+. “Queremos chegar às agências de publicidade. É muito louco como ainda não nos vemos nas telas. Representatividade é algo que transforma a sociedade. Sem falar que, se pensarmos apenas na questão do dinheiro, é lucrativo para as empresas. Estudos e números comprovam”, destaca.

No meio de tantos projetos, Pedrinho, como é conhecido pelos amigos, ainda encontra tempo para assinar a curadoria de festivais de música como Natura Musical e atuar. A partir de quinta-feira, estará nos palcos do teatro do CCBB com a peça “Pá de Cal (Ray-lux)”, de Jô Bilac. “Quando fui chamado, pensei que seria para a dramaturgia ou direção, algo nos bastidores. Fiquei surpreso quando entendi que o convite era para atuar. Me apavorei, com medo de não dar conta, mas percebi que não podia recusar a oportunidade de ver o meu corpo em cima de um palco sem ser para chacota. Topei”, conta um Pedro seguro e cheio de sucessos.