Conheça o remdesivir, remédio que os EUA planejam usar contra o coronavírus

Extra com NYT e agências
Supervisora de crematório em Maryland, nos EUA, checa nomes de corpos acumulados no local

A Food and Drug Administration (FDA), órgão americano de vigilância sanitária equivalente à Anvisa no Brasil, planeja anunciar uma autorização de uso emergencial para o remdesivir, medicamento antiviral experimental que está sendo testado no tratamento da Covid-19. A informação é do New York Times, cuja fonte é um alto funcionário do governo dos Estados Unidos.

Desenvolvido para combater o ebola, o remdesivir nunca foi aprovado como tratamento para qualquer doença. As expectativas foram alimentadas por relatos de pacientes com Covid-19 que tomaram a droga e se recuperaram. Mas, sem ensaios comparando o medicamento com placebo, foi impossível atestar se fez diferença. Após os elogios de Trump e Fauci, as ações da Gilead subiram mais de 6%.

O presidente Donald Trump e Anthony S. Fauci, principal cientista de doenças infecciosas do governo, comemoraram ontem os primeiros resultados. Fauci alertou que as conclusões de estudo supervisionado por sua agência, o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, precisam ser revisadas. Mas disse que expressam otimismo na recuperação de pacientes.

Outra pesquisa, realizada na China e publicada na “Lancet”, porém, questiona a eficácia do medicamento para pacientes graves, mas deixa em aberto a possibilidade de que possa ser útil para outros casos. O estudo, no entanto, é considera incompleto porque não havia participantes suficientes.

Na avaliação do governo americano, o remdesivir pode reduzir o tempo de recuperação em cerca de um terço. Cerca de 8% do grupo que tomou a droga morreram, em comparação com 11% no grupo de controle. Donald Trump classificou os resultados como “um bom sinal”.

Em comunicado, a Gilead Sciences, responsável pela fabricação do medicamento, disse estar “ciente de dados positivos emergindo” do estudo. O remdesivir ainda não está licenciado ou aprovado em qualquer lugar do mundo “e ainda não foi demonstrado que é seguro ou eficaz para o tratamento do Covid-19”, segundo a Gilead.

Ontem, dois meses após a primeira morte por coronavírus confirmada, os EUA ultrapassaram a marca de 60 mil óbitos. Em 1º de abril, eram 6.394. Apenas neste mês, o número multiplicou-se por quase dez. A quantidade de casos confirmados já superou um milhão. O país possui o maior número absoluto de mortos por coronavírus no mundo.