Conheça o trabalho da carioca Alice Quaresma, cujas obras são inspiradas no verão do Rio

Quando chega ao Rio, onde morou até os 18 anos, a artista plástica Alice Quaresma, de 37 anos, corre para matar duas saudades: comer mamão papaia no café da manhã e caminhar na areia da praia. Apesar de tantos anos vivendo em Nova York e, agora, em Londres, é na sua terra natal que ela se inspira para criar. “A minha principal procura é por temas relacionados a pertencimento e identidade. O Rio sempre esteve presente no meu trabalho, de forma direta ou indireta. É o lugar de onde vim e para onde sempre volto”, conta. “Foi onde me percebi artista e tive o primeiro contato com a arte através de aulas de desenho no Parque Lage e de fotografia no Ateliê da Imagem.”

Entre muitos pontos altos, Alice tem no currículo o prêmio "Foam Talent (2014), a exposição individual “Horizonte” na Caixa Cultural São Paulo (2018), participação no programa “Carte Blanche” da Hermès (2018), seleção do edital da Aperture Foundation em Nova York (2019), publicação do livro “Playground”, pela editora francesa Editions Bessard (2019), e ainda a individual “Origens” na galeria Silvia Cintra + Box4 (2022), que a representa em solo carioca. Em Nova York, ela trabalha com a Pablo’s Birthday, que a levou para a ultima edição da Untitled, em Miami, mês passado. Lá, a obra de Alice foi eleita uma das melhores da feira. “É muito interessante como ela vem ampliando seu trabalho de forma internacional, unindo fotografia e pintura”, comenta a curadora Gabriela Davies, que já selecionou peças de Alice em coletivas que fez em Londres e no Rio.

No momento, a artista está preparando a exposição que será aberta em breve na Patrick Heide Contemporary Art, em Londres. Em meio ao rigoroso inverno da capital inglesa, Alice mergulha em imagens do alto verão carioca. Em suas obras, há praias, coqueiros, Pão de Açúcar, Morro Dois Irmãos e outros clássicos. “Da minha família a referências artísticas, o Rio é a minha base, uma constante na minha vida e no meu processo criativo. Aqui mora a minha identidade. Sigo com um olhar aberto e registrando o que vejo de forma experimental, o que me permite aprender com a sua paisagem e complexidades”, diz, e completa: “O sentimento de não pertencimento me levou à procura do meu lugar. Fui em busca das imagens que tinha fotografado ao longo dos anos. Essa é a cidade que tenho mais registros e que me gera aconchego e, ao mesmo tempo, questionamentos”.