Conheça os secretários anunciados por Margareth Menezes para o MinC

Desde pós a sua nomeação para a Cultura, que voltou a ter status de ministério desde a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, em 1º de janeiro, Margareth Menezes já anunciou os nomes do secretariado para os principais órgãos vinculados à pasta, coimo o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), a Fundação Cultural Palmares, a Fundação Biblioteca Nacional e a Funarte (Fundação Nacional de Artes).

Nesta quinta-feira (12), a ministra anunciou a historiadora Fernanda Castro para a diretoria do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), substituindo Pedro Mastrobuono, integrante da equipe de transição de Tarcísio Freitas (Republicanos) no governo de São Paulo. No mesmo dia, a coluna de Ancelmo Gois informou que Alexandre Santini irá assumir a Casa de Rui Barbosa que, desde 2019, foi presidida pela novelista Letícia Dornelles, exonerada em dezembro do ano passado, em meio a acusações de assédio moral contra o ex-secretário de Cultura Mario Frias.

Na última terça-feira (10), a ministra nomeou o ex-deputado distrital Leandro Grass (PV) para o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), dois dias depois das invasões golpistas ao Palácio do Planalto, ao Congresso e ao STF. Candidato a governador do Distrito Federal ano passado, com apoio do PT, derrotado pelo governador afastado por 90 dias, Ibaneis Rocha (MDB), Grass teve o nome anteriormente questionado em um manifesto do Fórum de Entidades em Defesa do Patrimônio Cultural Brasileiro. Na carta, o Fórum solicitava uma indicação técnica e não política para o cargo (sem vaga entre os ministérios de Lula, o Partido Verde, que compôs a base da chapa vencedora, pleiteia cargos do segundo escalão, como o Iphan).

Confira abaixo os nomes anunciados para a Cultura:

Márcio Tavares - Secretaria Executiva

Mestre em História pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e doutor em Artes pela UnB (Universidade de Brasília), Tavares é curador independente. Secretário nacional de Cultura do PT desde 2017, coordenou a área na campanha de Lula no ano passado.

Roberta Martins — Secretaria dos Comitês de Cultura

Ex-diretora de Cidadania Diversidade e Territórios da Fundação de Arte de Niterói, cidade na qual trabalha na gestão cultural desde 2013, a socióloga e educadora assume a recém-criada secretaria. Em 2012 atuou na Coordenação-Geral de Estratégias e Gestão das Ações, da Diretoria de Programas Integrados, da Secretaria de Articulação Institucional no Ministério da Cultura.

Fabiano Piúba — Secretaria de Formação, Livro e Leitura

Secretário de Cultura do Ceará de 2016 a 2022, é doutor em Educação pela UFC (Universidade Federal do Ceará, onde graduou-se em História) e mestre em História pela PUC-SP. Foi diretor de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Ministério da Cultura entre 2009 e 2014 e coordenador de Articulação Federativa do Programa Mais Cultura, em 2008.

Zulu Araújo — Secretaria de Diversidade e Cultura

Ex-presidente da Fundação Palmares, entre 2007 e 2011, onde anteriormente foi diretor de Promoção, Intercambio e Divulgação de Cultura Afro-brasileira, é graduado em arquitetura, mestre em Cultura e Sociedade e doutorando em Relações Internacionais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Desde 2015 é diretor geral da Fundação Pedro Calmon, entidade vinculada à Secretaria de Cultura da Bahia. Por dez anos foi diretor e conselheiro do Grupo Cultural Olodum.

Henilton Menezes — Secretaria de Fomento e Economia da Cultura

Ex-secretário Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, entre 2010 e 2013, o jornalista, produtor e gestor cultural também atuou como gestor no Banco do Nordeste. É autor do livro "A Lei Rouanet – Muito além dos (F)atos".

Joelma Gonzaga — Secretaria do Audiovisual

Produtora Executiva da Maria Farinha Filmes, foi produtora executiva de longas como o documentário "AmarElo — É tudo pra ontem", de Emicida, e "Doutor Gama", cinebiografia do abolicionista Luiz Gama. Formada em cinema pela Universidade Federal da Bahia, com especialização em roteiro pela Escuela Internacional de Cine y Televisión (EICTV) de Cuba, atuou como o consultora e jurada de fundos e festivais, como o BrLab e o Cabíria Festival.

Marcos Souza — Secretaria de Direitos Autorais e Intelectuais

Mestre em Antropologia pela Universidade de Brasília (UnB) e servidor do Ministério da Economia desde 2002, ocupou a mesma secretaria em 2009, quando a então diretoria foi criada, até 2011, e entre 2012 e 2016, nas gestões de Juca Ferreira e de Marta Suplicy. Atou na reforma da legislação brasileira de direito autoral, sancionada em 2013, pela Lei 12.853. Foi assessor de Cultura da liderança do PT no Senado entre 2018 e 2022, onde foi um dos redatores da Lei Paulo Gustavo.

João Jorge Rodrigues — Fundação Cultural Palmares

Advogado e mestre em Direito Público pela Universidade de Brasília (UnB), foi um dos fundadores, em 1979, do bloco Olodum, o qual atualmente preside. Foi diretor da Fundação Gregório de Matos, órgão de gestão cultural ligado à Prefeitura de Salvador, entre 1986 e 1998, e integrou o conselho da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), entre 2009 e 2016.

Maria Marighella — Fundação Nacional de Artes (Funarte)

Vereadora de Salvador pelo PT e neta do ex-líder revolucionário Carlos Marighella, é atriz formada pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Foi coordenadora de Teatro da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) e da Fundação Nacional de Artes (Funarte), e Diretora de Espaços Culturais da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA), além de atuar como professora e produtora teatral.

Marco Lucchesi — Fundação Biblioteca Nacional

Titular desde 2011 da cadeira nº 15 da Academia Brasileira de Letras (ABL), da qual foi presidente entre 2018 e 2021, é professor de Literatura Comparada na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Premiado três vezes com o Jabuti (por tradução, em 2001, e poesia, em 2003 e 2014), atuou na Coordenação Geral de Pesquisa e Editoração da Biblioteca Nacional, responsável pela edição de catálogos e fac-símiles, entre 2006 e 2011, e integrou o Conselho Nacional de Política Cultural do Ministério da Cultura, de 2015 a 2017.

Leandro Grass - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)

Sociólogo, mestre em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (UnB), gestor cultural pela Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) e ex-pesquisador do Observatório de Políticas Públicas Culturais da Universidade de Brasília (OPCULT/UnB), o ex-deputado distrital fez da cultura e do patrimônio histórico na capital uma das bandeiras de seu mandato. Filiado ao PV, Leandro Grass disse, após o encontro com Margareth Menezes que confirmou sua nomeação, que a prioridade do Iphan, no curto prazo, seria a recuperação de obras e patrimônio danificados ou destruídos por golpistas que invadiram as sedes dos três poderes em Brasília.

Fernanda Castro - Instituto Brasileiro de Museus (Ibram)

Historiadora, com mestrado e doutorado em Educação, e mestranda em museologia, Fernanda Castro foi representante dos servidores do Ibram, gestora da Rede de Educadores em Museus e coordenadora do Comitê de Educação e Ação Cultural Conselho Internacional de Museus. No ano passado, assumiu interinamente a direção do Museu Histórico Nacional, no Rio, após um episódio considerado como dirigismo pela Secretaria Especial de Cultura, que vetou o nome da primeira colocada no processo público de seleção para direção do MHN, a historiadora Luciana Conrado Martins. Foi também educadora no Museu Chácara do Céu e no próprio Museu Histórico Nacional.

Alexandre Santini - Casa de Rui Barbosa

Gestor Cultural, dramaturgo e escritor, Alexandre Santini é o nome apontado para a presidir a Casa de Rui Barbosa (ainda não nomeado oficialmente). Secretário municipal das Culturas de Niterói (RJ) desde o ano passado, o pesquisador de 43 anos colaborou como técnico de Cultura da equipe de transição do governo Lula. Mestre em Cultura e Territorialidades pela UFF e bacharel em Artes Cênicas pela UniRio, Santini foi diretor de Cidadania e Diversidade Cultural no Ministério da Cultura, em 2015 e 2016. Autor do livro "Cultura viva comunitária: Políticas culturais no Brasil e na América Latina", foi um dos formuladores da Lei Aldir Blanc e um dos coordenadores da Articulação Nacional de Emergência Cultural.