Conheça a Trijunção, pousada que coloca o Cerrado no rol do turismo de aventura, com luxo e sustentabilidade

A movimentação começa cedinho na Trijunção (@pousadatrijuncao), reserva localizada entre Bahia, Minas Gerais e Goiás que acaba de ganhar uma pousada sustentável de luxo (do mesmo grupo da Pousada Literária e Fazenda Bambuzal, em Paraty, e da Tutabel, em Trancoso). Por volta das 5h (mas isso pode mudar dependendo do nascer do sol), os pássaros começam a cantar, as cutias a sapatear pelo chão, o lobo-guará a aulir e os simpáticos guias chegam para o safári da manhã. Os passeios em jipes abertos fazem um mergulho nas trilhas do Cerrado — as mesmas por onde Guimarães Rosa (1908-1967) passou em 1952 para escrever “Grande Sertão: Veredas”, e é possível reconhecer muitas paisagens que ele descreve em seu clássico.

Logo de cara, fica claro: “Nunca sabemos o que podemos encontrar, é sempre imprevisível”, avisam os guias sobre os roteiros de observação de pássaros (arara, bacurau, águia-cinzenta, coruja... são quase 900 espécies já catalogadas no bioma), avistamentos de animais locais (lobos-guarás, veados, jacarés, onças, tamanduás-bandeira), trilha botânica (com provinhas de frutas como cagaita, que lembra o sabor de carambola, e lobeira, que tem gosto de bala de tutti-frutti) e ainda caiaque no pôr do sol e café da manhã na Lagoa das Araras, de onde se observa um nascer do sol deslumbrante em tons de rosa, vermelho, azul e laranja, e brinde no fim do dia no marco da Trijunção, em uma mesa com frutas frescas e outros petiscos debruçada sobre o Parque Grande Sertão Veredas e a sua savana tão rica.

Depois do tour, o retorno para o hotel é igualmente feliz. A gastronomia é deliciosa e investe em sabores locais (tem muito pequi e castanha-de-baru), a piscina fresquinha, as apenas sete suítes super confortáveis e spa. O destino passou a ser concorrido por brasileiros recentemente. Antes, era mais requisitado por estrangeiros em busca de um mergulho na savana mais rica do planeta — e que, infelizmente, vem ficando reduzida por causa da expansão do agronegócio.

Atualmente resta menos de 50% da área original. Só no primeiro semestre deste ano, foram desmatados 617 mil hectares na região, segundo levantamento do Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado. Na Trijunção, são 33 mil hectares preservados. “Se falava muito de Amazônia e Pantanal, mas agora o turismo descobriu as belezas únicas e a importância do Cerrado”, conta o gerente João Soares.

Para chegar lá, são seis horas de carro a partir de Brasília ou um voo de 50 minutos em avião particular (R$ 11 mil, ida e volta, com capacidade para oito pessoas). As diárias, com refeições incluídas, custam a partir de R$ 2.500 para duas pessoas e a indicação é um mínimo de três dias. Reservas: pousadatrijuncao.com.br.