Conheça os ‘cuckolds’ - homens que gostam de ser traídos por suas parceiras

Uma infidelidade com a aprovação do parceiro? Trata-se de um fetiche sexual que está ganhando cada vez mais força e que se relaciona diretamente com a infidelidade feminina ao seu parceiro. (Foto: Getty).

Por Mónica De Haro

Ser traído nem sempre é um problema; há casos em que a infidelidade parece acender a chama da paixão e fortalecer o relacionamento.

Parafilia sexual, doença ou simplesmente um dos atos sexuais mais pervertidos que existem? Não sabemos, tudo depende do ponto de vista. A seguir explicaremos o que é esta prática sexual, para que você tire suas próprias conclusões.

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Imagine sua esposa sussurrando no seu ouvido, contando todas as “coisas erradas” que fez com um companheiro de trabalho no banco de trás do seu carro. Você, em vez de armar um barraco ou sentir ciúmes, fica excitado.

Talvez você goste da ideia de que sua esposa seja desejada por outros homens, ou talvez queira presenciar a cena da “traição”. Seja bem-vindo ao Cuckolding! Trata-se de um fetiche tabu, muito mais comum do que você imagina. As buscas sobre o tema no Google dobraram nos últimos 12 anos. Até o Reddit abriu um espaço para o Cuckolding.

O termo “corno” faz referência ao marido que é traído por sua esposa. O fenômeno em si não é nada novo. Ele pode inclusive ser considerado universal, e quase todos os idiomas têm uma palavra que se refere a ele.

No entanto, há algumas nuances importantes nos cuckolds: eles têm a fantasia de serem traídos. Os homens heterossexuais que seguem esta tendência não intervêm, e se excitam vendo suas parceiras terem relações sexuais com uma ou várias pessoas ao mesmo tempo, de acordo com a explicação do site El Español. 

O que é mais incrível é que eles não fazem isso observando de uma forma clandestina, no estilo voyeur. Na verdade, estão na primeira fila para não perder um único movimento de sua parceira e de seus amantes. Esta é a grande diferença do Cuckolding, já que ambas as partes compartilham este segredo. Os homens que apreciam esta prática gostam de observar a parceira chegar ao orgasmo com outros homens, e não se sentem nem um pouco ofendidos com isso.

A mulher – casada ou em um relacionamento – tem relações sexuais com outro homem, conta todos os detalhes ao namorado ou marido e, depois do relato, a chama da paixão volta a queimar com toda a intensidade. Isso é o Cuckolding (Foto: Getty)

“É essencial compreender que a ideia, que poderia ser humilhante, de imaginar sua esposa tendo relações sexuais com outro homem, se transforma em algo extremamente erótico,” explica o psicólogo David Ley, autor do livro  ‘Insatiable Wives’ (Esposas Insaciáveis, em tradução livre), ao site da Psychology Today. 

“Estamos ouvindo cada vez mais sobre este tema nos últimos anos, e cada vez mais pessoas rejeitam o estigma social contra esta fantasia,” explica Ley.

“Os homens são mais suscetíveis a fantasiar com o Cuckolding e o fazem com mais frequência, mas as mulheres também têm estas fantasias,” concluiu o estudo realizado por Ley e o Dr. Justin Lehmiller, pesquisador do Instituto Kinsey, em colaboração com o jornalista e escritor Dan Savage, e publicado na revista Archives of Sexual Behavior.

Dupla transgressão das normas sociais

Os números sugerem que a prática do Cuckolding, ou pelo menos o interesse por ela, é mais comum do que podemos imaginar. Em seu livro ‘Tell Me What You Want: The Science of Sexual Desire and How It Can Help You Improve Your Sex Life’ (Diga o Que Você Quer: A Ciência do Desejo Sexual e Como Ela Pode Melhorar sua Vida Sexual, em tradução livre), Lehmiller entrevistou milhares de norte-americanos e descobriu que 58% dos homens e aproximadamente um terço das mulheres já tiveram fantasias envolvendo este comportamento, segundo um artigo publicado na CNN.

Além disso, alguns especialistas garantem que ver sua parceira tendo relações sexuais com outra pessoa não é algo disfuncional, e sim uma prática que fortalece a relação, já que ajuda a realizar as fantasias eróticas do casal.

De acordo com a pesquisa, os casais que falam sobre suas fantasias e agem para realizá-las são mais satisfeitos sexualmente. Da mesma forma, a pesquisa também revela que as mulheres que compartilham e vivem suas fantasias têm mais orgasmos, o que sugere que o fato de se colocar em contato com as fantasias pessoais pode ajudar a enfrentar a dificuldade para atingir o clímax.

Por último, não podemos nos esquecer do prazer de quebrar as regras, e nesta prática “o homem está visualizando a si mesmo como ‘corno’, mas tem pleno controle sobre esta infidelidade, por isso suas ‘fantasias proibidas’ podem ser especialmente gratificantes”.

Alguns acreditam que o Cuckolding “apimenta” a vida sexual, sem a culpa de estar fazendo algo errado. No entanto, este fetiche não é para os inseguros e nem para os amantes da monogamia. (Foto: Getty/iStockPhoto)

“Às vezes é isso que desperta os cônjuges, criando casamentos saudáveis e felizes,” explica a Dra. Dawn Michael, que descreve a prática como “uma relação em que o marido obtém prazer sexual ao ver sua esposa ter relações sexuais com um homem, geralmente mais masculino ou dominante do que ele, e com um pênis maior”.

É fundamental que os dois cônjuges estejam de acordo e aceitem esta fantasia que irá transformar seu casamento em um novo modelo de relação, na qual os papéis de gênero desaparecem e os tabus se tornam fantasias sexuais muito reais. Supõe-se que o acordo prévio implique conhecimento e tolerância, o que faz com que não ocorram reprovações ou conflitos. Apesar disso, outras terapeutas, como a psicóloga e sexóloga Isadora Almen, não parecem ter uma opinião tão positiva: “eu não recomendaria esta prática para apimentar a vida amorosa. Ela pode levar a ciúmes e ressentimento”.

O Cuckolding pode ser uma experiência positiva para alguns casais, ou pode também expor as fraquezas da relação. Para evitar isso, Ley considera indispensável ter uma atitude aberta e “honestidade, integridade, comunicação, reciprocidade e valores compartilhados. Eu já vi homens tentarem mentir para suas esposas sobre esta prática, e isso nunca, nunca termina bem”.