‘Conivente, omisso e incompetente’: ex-governadores do DF criticam Ibaneis Rocha por invasões em Brasília

Na sequência dos ataques terroristas cometidos por apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) em Brasília neste domingo, ex-governadores do Distrito Federal foram às redes sociais criticar a postura do atual chefe do executivo no estado, Ibaneis Rocha (MDB).

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O governador foi afastado do cargo por 90 dias após uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que classificou sua conduta como “dolosamente omissiva”.

Em outras palavras, Moraes considerou que o mandatário conscientemente deixou de agir para conter os radicais. Fizeram coro ao veredito ao menos três antecessores de Ibaneis, dos quais dois chefiaram o Palácio do Buriti no período imediatamente anterior a sua chegada ao poder.

Governador do Distrito Federal no mandato de 2015 a 2018, Rodrigo Rollemberg (PSB) ressaltou o papel do chefe do executivo estadual em manter a ordem e coibir manifestações violentas que atacam a democracia:

— As punições devem ser exemplares para que novos fatos inadmissíveis como esses não aconteçam jamais. Uma vergonha a capital do país sofrer intervenção federal por total conivência do governador com atos de terrorismo. Ibaneis precisa responder pelos crimes que estão sendo cometidos contra a democracia e o patrimônio público — afirmou em seu perfil no Twitter.

Rollemberg ainda frisou que já enfrentou manifestações com mais de 100 mil pessoas durante o período em que foi governador, criticando a falta de “pulso firme” no decorrer dos atos no domingo.

— Acompanhava tudo de uma sala de situação ao lado do gabinete. Isso nunca aconteceu. Tínhamos responsabilidade!

Na mesma tônica, Agnelo Queiroz (PT), governador entre 2011 e 2015, afirmou ser impossível haver invasão nas dependências do Palácio do Planalto, prédio do Supremo e Congresso, sem conivência do Executivo.

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O petista cita como exemplo os protestos de 2013, que foram mais numerosos. Mesmo assim os manifestantes sequer conseguiram chegar até a Praça dos Três Poderes na época.

— O que aconteceu hoje foi resultado da diretriz que a Polícia Militar do Distrito Federal recebeu. Ibanes e seu secretário de segurança bolsonarista devem ser julgados! #SemAnistiaPraGolpista — escreveu no Twitter.

Em resposta a Ibaneis Rocha na mesma rede social, Cristovam Buarque, que esteve no cargo entre 1995 e 1999, perguntou:

— Onde (você) estava ontem? Conivente, omisso ou incompetente?

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Buarque ainda manifestou solidariedade às autoridades federais, convocadas para restabelecer a ordem em Brasília. Além disso, afirmou que a Câmara Legislativa “não merece existir” se não abrir um processo de impeachment contra o atual chefe do executivo por “ação ou omissão em face do terrorismo golpista”.

— O Distrito Federal tem mais de trinta anos de autonomia e todos os governos eleitos cuidaram da segurança da capital de todos os brasileiros. Apesar do atual governador, o povo do DF merece a autonomia — destacou.

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Três pedidos de impeachment já foram protocolados

Três pedidos de impeachment contra Ibaneis Rocha já foram protocolados até a tarde desta segunda. O último deles, assinado pelos advogados Rodolfo Prado e André Cardoso, denuncia o governador pelos crimes de omissão e prevaricação.

Outros dois pedidos também pedem a cassação do governador: o primeiro foi protocolado pelo PV (Partido Verde), enquanto o segundo é assinado tanto pelo PT (Partido dos Trabalhadores), quanto pelo PSol (Partido Socialismo e Liberdade).