Consórcio diz ter negado Maracanã ao Vasco para preservar gramado

O Consórcio Maracanã, formado por Flamengo e Fluminense, usou o gramado como justificativa para negar ao Vasco o direito de jogar no estádio contra o Sport, em 3 de julho, pela 15ª rodada da Série B. De acordo com um ofício enviado ao clube nesta quinta-feira, assinado pelo CEO do Consórcio, Severiano Braga, a inclusão da partida no calendário de jogos do Maracanã no mês de julho "inviabiliza o cumprimento mínimo de intervalo recomendado para manutenção da qualidade do gramado, conforme informado pela Greenleaf, empresa responsável pela manutenção do gramado do Estádio do Maracanã".

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Segundo o documento da Greenleaf, assinado em 13 de junho, o ideal seria que o estádio recebesse um jogo por semana, não sendo permitido mais do que 50 partidas ao ano. "No Maracanã já temos dois clubes que utilizam o estádio para seus jogos, o que significa, em média, 2 jogos por semana. Com isso já temos mais de 50 partidas anuais”, diz parte do documento.

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A empresa também alertou que na semana anterior a assinatura do documento acontecerem dois jogos “um sábado à noite e outro domingo à tarde”, onde jogaram Fluminense e Vasco, nos dias 11 e 12 de junho, respectivamente. “Isso, além de prejudicar bastante o gramado por não ter descanso, dificulta muito a manutenção e o preparo do campo, sequer respeitando um intervalo mínimo aceitável de três dias", diz o parecer da empresa.

Grama

Outro ponto levantado pela Greenleaf foi a dificuldade do crescimento da grama devido ao período de outono/inverno. A empresa afirma que nessas estações “a grama entra num estado de quase dormência, com seu crescimento praticamente paralisado devido as baixas temperaturas. Além disso, temos na parte oeste e norte pouca quantidade de luz natural; e mesmo utilizando o suporte da luz artificial não se consegue suprir a luminosidade necessária para o bom desenvolvimento fisiológico da grama, o que retarda o poder de recuperação da mesma”.

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Na negativa ao Vasco, Braga informou que "antes do recebimento do pedido do Vasco da Gama, já havia um cronograma de jogos para ocorrerem no Estádio do Maracanã no mês de julho de 2022, que prevê a realização de, no mínimo, oito partidas de futebol no referido mês, podendo chegar a dez partidas, dependendo do desempenho do Flamengo e do Fluminense na Copa do Brasil, sendo certo que uma dessas partidas ocorrerá no dia 2 de julho de 2022, às 16h30, entre as equipes do Fluminense e Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro Série A".

Braga encerrou sua resposta afirmando que o Maracanã "estará sempre de portas abertas para receber as partidas de futebol do Vasco da Gama, desde que sua utilização seja solicitada com maior antecedência".

Em uma nota de repúdio, o Vasco disse lamentar a decisão "de não reconsiderar o absurdo veto" e rechaçou a alegação do Consórcio. O clube alegou que “o máximo de jogos que os dois clubes (Flamengo e Fluminense) podem fazer no mês julho são nove. O décimo jogo previsto no cronograma para o mês provavelmente deveria ser uma partida do Fluminense FC em competições da Conmebol, das quais foi prematuramente desclassificado. Sendo assim, a partida CR Vasco da Gama x Sport Clube do Recife seria no máximo a décima partida no mês, o que se encaixaria perfeitamente no dito cronograma”. O clube também fez constar em sua nota que “o Maracanã tem recebido rotineiramente jogos com intervalo de 24h ou menos. Só nessa temporada foram duas ocasiões, em 2021 seis vezes e 2020 outras seis”.

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O Vasco também afirmou na nota que "seguirá na luta para assegurar o direito de sua torcida acompanhar os jogos do clube no Maracanã em condições de igualdade com os demais, como manda o termo de permissão de uso concedido pelo Estado do Rio de Janeiro".

Licitação emperrada

Flamengo e Fluminense, nos bastidores, entendem que a prioridade dos jogos devem ser deles, já que administram o estádio. A dupla assumiu o controle do Maracanã em 2019, durante o governo Witzel. A princípio, a administração deveria durar 180 dias, tempo em que o governo prepararia uma licitação. Porém, três anos depois, esse processo ainda está correndo e os clubes continuam com a administração provisória do estádio. O novo edital, que ainda não foi finalizado, é direcionado para que a nova administração seja conjunta entre Flamengo, Fluminense e Vasco (Botafogo não tem interesse).

O Consórcio tem dados que mostram que já foram gastos ao menos R$ 18,5 milhões com a manutenção do estádio. Os gastos são de R$ 8,4 milhões de outorga; R$ 7,6 milhões no gramado, sendo R$ 3,6 milhões na compra de três lâmpadas holandeses que fazem a grama crescer mais rápido; R$ 1,5 milhão na reforma da cobertura do estádio que corria o risco de cair; e R$ 1 milhão na troca da parte elétrica.

Fluminense vetado

O que também tem sido lembrado nos bastidores é o veto do Vasco ao Fluminense, em março. Com o Maracanã fechado por causa da troca do gramado, o tricolor jogou uma partida pela Libertadores em São Januário. O clube seguiu o regulamento da Conmebol e retirou imagens do Vasco de perto do campo. Porém, uma cruz de malta foi fotografada tapada atrás de uma baliza.

A imagem, somada a alguns atos de vandalismo no estádio por parte da torcida do Fluminense, criou uma reação de vascaínos que pediram que o estádio não fosse mais utilizado pelo tricolor. O aluguel de São Januário foi cancelado mesmo com uma partida já marcada.

Esse jogo, que foi contra o Olímpia do Paraguai, precisou ser transferido para o Nilton Santos, o que gerou mais custos para o Fluminense. Um fato que também tem sido rebatido internamente dentro do Consórcio. Na ocasião, o Fluminense pagou R$ 120 mil pelo uso de São Januário. E precisou pagar R$ 150 mil para jogar no Nilton Santos.

O Vasco reclamou do valor do aluguel do Maracanã, que foi estabelecido em R$ 250 mil. Mas internamente, o Consórcio alega que a quantia é justa levando-se em consideração o valor cobrado pelo Vasco. E que em nota, o próprio clube afirmou que São Januário é três vezes menor do que o Maracanã.

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