Consórcio Nordeste acertou 'compra firme' de 37 milhões de doses da Sputnik V, diz governador do Piauí

Raphaela Ramos
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RIO — Em agenda com o Fundo Russo, que representa a vacina contra a Covid-19 Sputnik V, o Consórcio Nordeste acertou a “compra firme” para 37 milhões de doses do imunizante nesta sexta-feira, afirmou o governador do Piauí Wellington Dias (PT). A negociação envolveu as procuradorias jurídicas dos estados.

Dias, que é presidente do Consórcio Nordeste, explicou que não há tempo viável para a entrega das doses ainda em março. Portanto, a distribuição dos primeiros 2 milhões de imunizantes ocorrerá em abril, seguida por 5 milhões em maio e assim por diante, até o mês de julho, quando é encerrada a transferência do lote comprado para os estados.

Em um vídeo divulgado durante a reunião, o governador do Piauí afirmou que o objetivo do encontro era celebrar o contrato do Nordeste, mas com "toda essa vacina" destinada para o Plano Nacional de Imunização (PNI), para distribuição em todo o Brasil.

— E a partir daí, como fazemos para que o Ministério da Saúde, com quem dialogamos desde ontem, possa encontrar uma forma de assumir e garantir as condições da vacina para o Sistema Único de Saúde, da mesma forma como estamos trabalhando com a AstraZeneca e com a CoronaVac. Ou seja, mais vacina a partir desse esforço do Nordeste, para todo o Brasil, integrado com o Fórum Nacional dos Governadores — afirmou Dias.

O Ministério da Saúde também assinou, nesta sexta-feira, um contrato para compra de 10 milhões de doses da vacina Sputnik V. Segundo a pasta, as primeiras 400 mil doses chegarão ao país até o final de abril. O cronograma prevê a entrega de 2 milhões de doses até o final de maio e mais 7,6 milhões em junho.

Na quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro sancionou projetos que facilitam e aceleram a compra de imunizantes. Um deles autoriza a a União, estados e municípios a assumirem responsabilidades por eventuais efeitos colaterais das vacinas e dá aval, com restrições, para a compra de vacinas pelo setor privado. O presidente vetou o trecho que obrigava a União a arcar com os custos de aquisição de imunizantes por estados e municípios.

Bolsonaro também sancionou uma medida provisória que estabelece um prazo de sete dias úteis para a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisar pedidos de registro emergencial de imunizantes e permite a compra de vacinas que ainda não receberam aval da agência.

Até o momento, a Sputnik V está com pedido de autorização travado na Anvisa por falta de documentação.

Em fevereiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) também decidiu que estados e municípios podem comprar e fornecer vacinas contra a Covid-19 caso o Plano Nacional de Vacinação seja descumprido ou não haja vacinas suficientes para imunizar a população.