Conselhão de Bolsonaro vai funcionar melhor do que o de Lula?

Renato Andrade

Apesar de o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social ter sido enterrado pela atual administração federal em maio, o presidente Jair Bolsonaro ficou satisfeito por ter participado ontem, em São Paulo, da inauguração da versão 2020 do antigo "Conselhão" do ex-presidente Lula.

Dessa vez, a iniciativa de juntar um grupo de empresários para discutir políticas públicas e ações para acelerar o ritmo de atividade econômica não partiu do Palácio do Planalto, como no governo petista.

Coube ao comandante da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf – o "porta-voz" do governo segundo palavras do próprio presidente no mês passado – convocar quase quatro dezenas de representantes do PIB nacional para “discutir os desafios, perspectivas, investimentos, geração de empregos e o crescimento do país”, como destacado pela entidade em sua página oficial na Internet.O Conselhão 2020 ganhou até nome próprio: Conselho Superior Diálogo pelo Brasil.

Composto por cerca de 90 representantes da sociedade civil, o Conselhão de Lula foi criado em 2003 para ser uma entidade de assessoramento do presidente na criação ou aperfeiçoamento de políticas públicas. O grupo foi perdendo foco e importância com o passar dos anos. No governo Dilma Rousseff, praticamente desapareceu, dada a falta de interesse da petista em dialogar. Com Michel Temer, houve uma renovação dos integrantes – o próprio Skaf passou a fazer parte da lista de conselheiros – algumas reuniões foram feitas, mas nada de marcante foi decidido.

Bolsonaro liquidou o grupo, assim como outros 54, com o argumento de que esses colegiados estavam inativos, paralisados ou exauridos.

Empresários que participaram do encontro de ontem, na sede da Fiesp, destacaram que o novo Conselhão terá, na prática, a mesma natureza do grupo nascido no governo petista: será um canal de diálogo entre Brasília e o mundo real. Resta saber se alguma medida concreta será tirada desse déjà vu.