Conselheiro de Biden diz que conversa com Bolsonaro vai incluir defesa de eleições 'livres e justas'

O presidente dos EUA, Joe Biden, vai enfatizar a importância da realização de eleições livres em sua reunião bilateral com o presidente Jair Bolsonaro, na quinta-feira, às margens da Cúpula das Américas, em Los Angeles. Esta será a primeira vez em que os dois líderes conversarão pessoalmente, um encontro antecedido por novos questionamentos feitos por Bolsonaro à eleição americana de 2020, ecoando um discurso equivocado do ex-presidente Donald Trump de que teria havido fraude.

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Falando a jornalistas a bordo do avião presidencial americano, o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, disse que “não há restrição de tema em nenhum encontro bilateral do presidente [Biden], inclusive com o presidente Bolsonaro”.

— Posso adiantar que o presidente discutirá eleições democráticas abertas, livres, justas e transparentes — declarou Sullivan.

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Aliado de Donald Trump, derrotado em novembro de 2020, Bolsonaro demorou quase 40 dias para parabenizar o democrata pela vitória e repetiu, em diversas ocasiões, as alegações de Trump acusando Biden de fraudar a votação. As recontagens em estados onde a diferença entre os dois candidatos foram pequenas, como Geórgia e Arizona, mostraram que não houve irregularidades.

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Em janeiro de 2021, essa narrativa serviu de combustível para a invasão do Capitólio, no dia em que o Senado confirmaria os resultados do colégio eleitoral — pouco antes, Trump havia feito um discurso, a menos de 1 km da dali, sugerindo a seus apoiadores que fossem até a sede do Legislativo protestar contra um processo que normalmente é protocolar. Ao todo, sete pessoas morreram, e mais de 800 foram presas e processadas pelas autoridades federais.

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Na terça-feira, dois dias antes da reunião, Bolsonaro voltou a abordar o tema.

— Quem diz [sobre fraude nas eleições] é o povo americano. Eu não vou entrar em detalhes sobre a soberania de outro país. Agora, o Trump estava muito bem. E muita coisa chegou para gente que a gente fica com pé atrás. A gente não quer que aconteça isso no Brasil — disse Bolsonaro, em entrevista ao SBT News. O presidente também levanta com frequência questões sobre a lisura do processo eleitoral brasileiro, em especial das urnas eletrônicas, algo refutado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

No mês passado, o presidente brasileiro disse ter sido “ignorado” por Biden no encontro do G-20, em Roma, em outubro de 2021.

— Encontrei ele [Biden] no G-20, ele passou como se eu não existisse. Mas foi com todo mundo por parte do Biden, não sei se é a idade, não sei o que é — disse Bolsonaro, afirmando que houve uma mudança no status das relações com os EUA depois da chegada do democrata à Casa Branca.

Além do processo eleitoral, Sullivan afirmou que os dois líderes vão discutir a questão ambiental, um tema que é ponto de pressão internacional sobre o governo brasileiro. A postura de Brasília, considerada favorável à exploração de áreas preservadas, como a Amazônia, foi atacada por ambientalistas e provocou tensões com líderes como o francês Emmanuel Macron.

A reunião, prevista para durar meia hora, segundo o Itamaraty, também acontece em meio às buscas pelo jornalista britânico Dom Phillips e indigenista Bruno Araújo Pereira, que desapareceram quando faziam o trajeto entre a comunidade ribeirinha São Rafael até a cidade de Atalaia do Norte, no Vale do Javari, no estado do Amazonas.

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Depois de participar da Cúpula das Américas, na qual deverá discursar na sexta-feira, Bolsonaro vai para Orlando, no estado da Flórida, para a inauguração de um consulado. Segundo a AFP, o presidente tentará se reunir com representantes do Partido Republicano nesta etapa da viagem.

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