Conselheiros 'loucos' recomendaram apreensão de máquinas de votação a Trump

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Um grupo de conselheiros apelidado de "os loucos" aconselhou o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a apreender máquinas de votação em estados onde sua derrota foi apertada, indicaram relatos apresentados em uma audiência na Comissão da Câmara que investiga a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021.

A audiência, a sétima da comissão, tem por principal foco entender o papel de grupos violentos extremistas doméstico e o papel de Trump na invasão.

Na primeira parte da sessão, os deputados se concentraram em descrever como a Casa Branca estava instável em dezembro, repleta de figuras que, sem fazer parte do governo, traziam ideias para Trump permanecer no poder ilegalmente, após tentativas judiciais fracassarem.

Boa parte da investigação descreveu em detalhes uma caótica reunião de seis horas de duração na Casa Branca em 18 de dezembro de 2020, quando Trump ainda continuava a mentir que perdera o resultado devido a fraudes.

Durante o encontro, os advogados de campanha de Trump, Sidney Powell e Rudy Giuliani, e o ex-assessor de segurança nacional Michael Flynn — o grupo chamado de "os loucos" — pediram ao então presidente que apreendesse máquinas de votação em estados em campo de batalha, disseram várias testemunhas.

Essa ideia foi duramente criticada por funcionários do governo, incluindo o conselheiro de Trump, Eric Herschmann, que disse considerar as sugestões “malucas”. Em seus depoimentos, estes membros do governo se esforçaram para se apresentar como figuras respeitáveis, atribuindo todas as práticas antidemocráticas a Trump e seus outros conselheiros, que ignoraram seus alertas de que não havia fraude.

Em depoimento gravado, o ex-secretário de Justiça William Barr disse que Trump pediu que ele usasse o o Departamento de Justiça para apreender máquinas, um pedido que ele negou rapidamente.

— "Absolutamente não", eu respondi — disse Barr. — “Não há causa provável e não vamos apreender nenhuma máquina.”

Pat Cipollone, o advogado da Casa Branca que testemunhou a portas fechadas na sexta-feira, também contou como foi contra a ideia.

— O governo federal apreender as urnas? Essa é uma ideia terrível para o país. Não é assim que fazemos as coisas nos Estados Unidos —testemunhou Cipollone.

"Os loucos" acusaram figuras como os dois de não terem coragem de derrubar a eleição. Várias testemunhas relataram que a reunião incluiu berros e insultos.

— Eu disse que eles eram um bando de maricas — afirmou o advogado de Trump e ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani.

Derek Lyons, ex-secretário da Casa Branca, disse que a reunião foi tensa.

— Às vezes, havia pessoas gritando, xingando umas às outras. Não eram apenas pessoas sentadas em um sofá conversando — disse ele.

Powell disse à comissão que Cipollone estava "mostrando desprezo e desdém" por Trump.

No dia seguinte a essa reunião explosiva, Trump enviou um tuíte incentivando seus apoiadores a irem para Washington em 6 de janeiro. "Esteja lá... será selvagem", disse Trump.

A segunda parte da audiência se concentra em explicar os efeitos desta mensagem. Diversos apoiadores radicalizados de Trump — como Jim Watkins, acusado de ser um dos principais responsáveis pela teoria da conspiração QAnon — prestaram depoimento, descrevendo como se sentiram incentivados pelo texto.

A sessão é liderada pelos deputados Jamie Raskin, democrata de Maryland, e Stephanie Murphy, democrata da Flórida. A investigação pretende documentar cocmo, após diversos esforços para anular o resultado da eleição presidencial de 2020 fracassarem, Trump estimulou um grupo apoiadores, incluindo milícias de extrema direita, a promoverem um ataque enquanto o Congresso se reunia para confirmar sua derrota.

Um dos depoimentos confirmados é o de Jason Van Tatenhove, ex-porta-voz dos paramilitares de extrema direita Oath Keepers. Recentemente, ele se declarou culpado de entrar ilegalmente no Capitólio em 6 de janeiro.

Na abertura, o deputado Raskin disse que há “três anéis de ataque entrelaçados” que convergiram nos episódios de 6 de janeiro: o esforço de Trump para pressionar seu vice-presidente a manipular o resultado, a participação de grupos extremistas domésticos com um plano para invadir o Capitólio e, por fim, a “grande e enfurecida multidão” que Trump reuniu do lado fora do Congresso.

Assim como em outras audiências, a Comissão manteve no início da sessão a estratégia de usar as palavras do círculo íntimo de Trump e até de sua família para responsabilizar o ex-presidente por suas falsas alegações de que a eleição foi de alguma forma fraudada, mostrando que ele rejeitou diversos alertas de que não houve roubo.

Um dos depoimentos mais significativos foi de William Barr, que deixou claro que via as alegações de Trump como absurdas, e observou várias vezes que riu alto de algumas das teorias da conspiração divulgadas. Mas o ex-secretário de Justiça disse ter entendido que elas tinham apelo:

— Eu não vi absolutamente nenhuma base para as alegações, mas elas foram feitas de uma maneira tão sensacionalista que obviamente estavam influenciando muitas pessoas, membros do público, que havia uma corrupção sistêmica e seus votos não contavam.

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