Conselho de Ética da Alesp rejeita processo contra deputado que sugeriu colocar 'cabresto' na boca de parlamentar

O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) rejeitou nesta terça-feira, por cinco votos contra e quatro a favor, a abertura de um processo que poderia resultar na cassação do deputado Wellington Moura (Republicanos) por quebra de decoro parlamentar. No mês passado, durante sessão da Alesp, Moura disse que iria "sempre colocar um cabresto" na boca da deputada Monica Seixas (PSOL).

— Quero dizer a ela (Monica Seixas) que ontem, num momento que eu estava presidindo a sessão, ela estava importunando o plenário (...) é o que vossa excelência faz. Sempre. Várias vezes. Mas num momento que eu estiver ali (presidindo a sessão), eu vou sempre colocar um cabresto na sua boca porque não vou permitir que vossa excelência perturbe a ordem — disse ele.

Em seguida, Monica retrucou, dizendo que o deputado não iria calar a sua boca. Ele manteve o posicionamento:

— Eu vou, todas as vezes (que presidir a sessão) — afirmou Moura.

A deputada do PSOL protocolou uma representação contra o deputado na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia, sob o argumento que ele agiu com "racismo e machismo".

"Falar que vai botar um cabresto na minha boca é impedir que eu exerça o papel para o qual eu fui eleita. Cabresto faz uma referência a uma tática usada amplamente na escravidão para impedir que negros e negras se manifestassem, comessem e bebessem. Eu pedi uma questão de ordem e fui acusada de atrapalhar a sessão", disse a deputada nesta terça-feira. "Ninguém vai colocar cabresto em mim. Essa casa não pode ser conivente com o racismo. E mais uma vez eu digo: estamos sendo violentadas com a conivência do corporativismo machista desta casa."

No plenário, Moura pediu desculpas pela atitude e disse que não teve a intenção de cometer injúria racial ou machismo. Para desqualificar a denúncia, ele argumentou ainda que sua avó era negra e ele, pastor, tendo atuado em projetos contra a violência contra a mulher.

Monica também enviou outra representação, que foi recusada pelo Conselho, pedindo a cassação do deputado Gilmaci Santos (Republicanos), que, no dia anterior, durante votação pela cassação de Arthur do Val (União Brasil), chamou a parlamentar de "louca" e apontou o dedo para o nariz dela.

Votaram contra os deputados Adalberto Freitas (PSDB), Altair Moraes (Republicanos), Delegado Olim (PP), Campos Machado (Avante) e Estevam Galvão (União Brasil). A favor da cassação, os deputados Enio Tatto (PP), Barros Munhoz (PSDB), Marina Helou (Rede) e Maria Lúcia Amary (PSDB). Érica Malunguinho (PSOL) não estava presente.

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