Conselho de Ética da Câmara do Rio decidirá pelo afastamento de Dr. Jairinho nesta quinta-feira

Gilberto Porcidonio
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O Conselho de Ética da Câmara dos Vereadores se reunirá nesta quinta-feira, às 18 horas, na Sala das Comissões para decidir, junto da Procuradoria da casa, pelo afastamento do vereador Dr. Jairinho (sem partido), preso nesta manhã. O vereador havia sido eleito como membro do conselho de ética no dia 11 de março.

Muito horrorizada com a situação nunca vivida antes pela câmara, a autora da emenda que criou o conselho, a vereadora Teresa Bergher (Cidadania), vai apresentar um projeto de resolução para que se altere o código de ética para que o vereador preso acusado de torturar e matar o seu enteado, o menino Henry Borel, de 4 anos, no dia 8 de março, seja imediatamente afastado. Caso isso ocorra, após 30 dias de ocorrido o afastamento, o gabinete do vereador se dissolveria.

— Mais uma vez iremos propôr que haja uma alteração mas, acima de tudo, nós vamos propor também que o vereador seja afastado imediatamente. Tem que ser. É uma situação muito grave. Isso do regimento interno do conselho nós ainda vamos demorar um pouquinho, o que não podemos é deixar de dar à sociedade a resposta que ela espera — disse Teresa.

A vereadora também espera que a resposta rápida desfaça a ideia de que o conselho de ética foi criado para proteger os vereadores:

— Isso é equivocado porque a gente não dá as respostas enérgicas e sérias que a gente precisa dar. Estamos diante da possibilidade de um homicídio duplamente qualificado. A acusação é muito grave. Como é que alguém preso pode continuar exercendo um mandato?

Conforme foi antecipado pela coluna de Berenice Seara, no EXTRA, na manhã desta quinta-feira, Dr. Jairinho já teve seu salário suspenso pela Casa e, a partir do trigésimo dia preso, ficará formalmente afastado do cargo, como manda o Regimento Interno. Em nota, a Executiva Nacional do Solidariedade, em conjunto com a Estadual do partido, também informou, diante dos fatos revelados, que o vereador foi expulso da sigla, de forma sumária, na tarde desta quinta-feira.

Caso seja afastado, quem assumirá a cadeira será o vereador Luiz Ramos Filho (PMN), suplente do conselho. O parlamentar declarou que nunca poderia imaginar que assumiria em uma situação como esta.

— Fui eleito suplente do conselho de ética e vou cumprir o meu papel. O caso é extremamente grave e o conselho de ética da câmara precisa dar uma resposta imediata, Mas temos que agir com imparcialidade, com firmeza e amparados pela lei. Precisamos ouvir a procuradoria da casa para dar uma resposta à sociedade — disse Luiz Ramos Filho.

O vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, e a mãe de Henry, Monique Medeiros da Costa e Silva, foram presos em suspeita pelo envolvimento na morte da criança e serão indiciados por tortura e homicídio qualificado. Os dois foram presos em Bangu, na Zona Oeste do Rio, por policiais da 16ª DP (Barra da Tijuca). Após um mês de investigação, a polícia concluiu que o vereador agredia o enteado, e que a mãe da criança sabia disso — pelo menos desde o dia 12 de fevereiro. De acordo com as investigações, Jairinho dava bandas, chutes e pancadas na cabeça do menino. Ele, Monique e a babá do menino teriam mentido quando disseram que a relação da família era harmoniosa. Jairinho e Monique foram encontrados na casa de uma assessora do vereador. Caso sejam condenados, eles podem ficar presos por até 30 anos.

O laudo de necropsia aponta que o menino teve hemorragia interna e laceração hepática, provocada por ação contundente, e que o corpo da criança apresentava equimoses, hematomas, edemas e contusões. Peritos ouvidos pelo jornal O Globo afirmam que os ferimentos não são compatíveis com um acidente doméstico. Um alto executivo da área de saúde afirmou ter sido contactado por Jairinho para agilizar a liberação do corpo sem o encaminhamento para o Instituto Médico Legal (IML), no Centro da cidade.