Conselho de Ética vota pela admissibilidade de processo contra Daniel Silveira por ameaça a manifestantes contrários a Bolsonaro

Adriana Mendes
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BRASÍLIA - O Conselho de Ética da Câmara aprovou nesta segunda-feira , por 11 a 2, a continuidade do processo disciplinar apresentado por Rede, PSOL e PSB contra o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) por ameaçar, em vídeo, manifestantes contrários ao governo Bolsonaro.

De acordo com a representação, Silveira publicou no final de maio do ano passado, em rede social, uma gravação com diversos palavrões para se referir aos manifestantes “antifas”- abreviação de antifascismo - e afirmou que no ato havia policiais armados e disse torcer para que um dos manifestantes tomasse um tiro "no meio da caixa do peito".

“Eu tô torcendo para isso. Quem sabe não seja eu o sortudo. Vocês me peguem na rua em um dia muito ruim e eu descarregue minha arma em cima de um filho da puta comunista que tentar me agredir. Vou ter que me defender, não vai ter jeito. E não adianta falar que foi homicídio, foi legítima defesa. Tenham certeza: eu vou me defender", afirmou o deputado na gravação.

Emseu parecer, a relatora deputada Rosa Neide (PT-MT) votou pelaadmissibilidade da representação justificando que a imunidadeparlamentar não pode ser usada como um “passaporte embranco”. Ela também destacou “reiterados comportamentosdisseminadores de ódio e ataque aos Poderes Constituídos e àsinstituições republicanas” do parlamentar.

Na sessão do conselho, Silveira reclamou do “oportunismo politico” e disse que o vídeo já foi retirado da rede social . Justificou que sua fala foi deturpada e desafiou a acharem o trecho mencionado na representação. Ele destacou também que está “indignado” por ter sido “censurado” e que não tem como produzir provas a seu favor.

- Quando dizem que eu disse que vou dar um tiro em um manifestante estão caluniando – disse, completando: - Mas nada do que eu disser aqui vai adiantar – afirmou, alegando que não foi colocado na representação o contexto geral o vídeo.

Silveira desafiou os colegas a encontrarem uma fala dele sobre “fechamento” do Supremo Tribunal Federal (STF) e voltou a negar ter ameaçado ministros da corte. O parlamentar, que foi preso em flagrante por ameaçar ministros do Supremo, atualmente está em prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica.

- Eu estou aqui preso estou aqui preso em uma tomada carregando uma tornozeleira eletrônica, que eu não deveria estar usando –reclamou.

Arquivamento

O conselho decidiu nesta quinta-feira arquivar um processo por quebra de decoro parlamentar que pedia a cassação do mandato da deputada Alê Silva (PSL-MG). O relator Flávio Nogueira (PDT-PI), que defendeu o arquivamento do processo. Foram 13 votos a favor, um contra o relatório e um parlamentar se absteve.

A representação foi protocolada em 2019, durante o racha na legenda envolvendo o presidente Jair Bolsonaro e o presidente nacional do partido, Luciano Bivar (PSL-PE).A deputada foi acusada pelo próprio partido de quebra de decoro por ter postado nas redes sociais mensagens consideradas ofensivas durante a disputa pela liderança da legenda. De acordo com o PSL, Alê Silva endossou manifestação "ofensiva" ao partido feita por Eduardo Bolsonaro indagando a sobre a inexistência de motivos para a suspensão das atividades partidárias.