Conselho de Administração da Petrobras aprova a distribuição de dividendos de R$ 43,7 bilhões

O Conselho de Administração da Petrobras aprovou na tarde desta quinta-feira (dia 3) a distribuição de dividendos aos acionistas referente ao resultado do terceiro trimestre deste ano. De acordo com fontes, a aprovação foi por maioria dos membros do colegiado.

Mais cedo, no entanto, uma fonte informou que a campanha de transição do governo Lula vai tentar impedir o pagamento desses dividendos aos acionais, já que se trata de uma antecipação de recursos da companhia com base nos resultados futuros da estatal.A Federarão Única dos Petroleiros (FUP) e a Anapetro, a associação que representa os petroleiros acionistas minoritários da Petrobras,também já haviam dito que recorreriam á Justiça caso o conselho aprovasse a distribuição.

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Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a estatal aprovou o pagamento de distribuição de dividendos no valor de R$ 3,3489 por ação preferencial e ordinária em circulação. De acordo com fontes, foi aprovada a distribuição de R$ 47 bilhões.

Trata-se de um pagamento antecipado do ano fiscal de 2022, que será aprovado apenas em assembleia geral ordinária de acionistas em abril de 2023.O valor do terceiro trimestre deste ano será pago em duas parcelas: uma em dezembro e a outra em janeiro de 2023.

Assim, no primeiros nove meses do ano, a distribuição de dividendos chega a R$ 179,9 bilhões.

"A aprovação do dividendo proposto é compatível com a sustentabilidade financeira da companhia no curto, médio e longo prazo e está alinhada ao compromisso de geração de valor para a sociedade e para os acionistas, assim como às melhores práticas da indústria mundial de petróleo e gás natural", disse a estatal.

A estatal destacou que no Plano Estratégico 2022-26 os projetos de investimentos solicitados pelas áreas de negócio foram atendidos por apresentar boa resiliência e por serem suportados pela geração de caixa operacional e o fluxo de desinvestimentos, sem efeitos adversos na alavancagem.

"Portanto, não existem investimentos represados por restrição financeira ou orçamentária e a decisão de uso dos recursos excedentes para remunerar os acionistas se apresenta como a de maior eficiência para otimização da alocação do caixa", justificou a empresa.

No fim do ano passado, a Petrobras passou a permmitir a antecipação de dividendos, ainda sob gestão do general Joaquim Silva e Luna. O modelo de distribuição de dividendos prevê que, em caso de endividamento bruto inferior a US$ 65 bilhões, a Petrobras poderá distribuir aos seus acionistas 60% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e investimentos.

Do total de dividendos, o governo federal (União e BNDES) tem direito a uma fatia de 36,61%, referente ao capital total da companhia. No primeiro semestre deste ano, a União já recebeu cerca de R$ 50 bilhões em distribuições de lucros da estatal.