Conselho da UFRJ avalia nesta quinta-feira o projeto do novo Canecão

O Conselho Universitário da UFRJ avalia nesta quinta-feira a proposta da reitoria para viabilizar a construção de uma arena de eventos no campus da Praia Vermelha em dois anos. Chamado informalmente de novo Canecão, por ficar no terreno da antiga casa de espetáculos, o espaço terá um sistema de arquibancadas retráteis — semelhante ao existente na Jeneusse Arena, na Barra da Tijuca —, que permitirá a presença de até 3.833 espectadores conforme o tipo de apresentação. Em contrapartida, a empresa que vencer a concessão, provavelmente pelo prazo de 25 anos, terá que construir um novo prédio para abrigar salas de aula e um bandejão para os estudantes.

Independentemente do desfecho da reunião desta quinta, antecipada pelo colunista Ancelmo Gois, em seu blog no GLOBO, a reitora da UFRJ, Denise Pires de Carvalho, prevê que o edital seja aberto para consulta pública no próximo dia 16. A licitação deve ocorrer no fim de dezembro, e a assinatura do contrato de cessão da área seria no início de 2023. A reitora defende o modelo de arena por tornar o espaço flexível para vários tipos de eventos, de um show de rock a espetáculos musicais, com os espectadores sentados.

Até camarotes

A arena deve ter 7,4 mil metros de área construída. Haverá dois andares para plateia e um terceiro para camarotes. Na lotação mínima (na apresentação de uma peça de teatro, por exemplo), o espaço terá capacidade para 1.786 assentos.

— O Conselho de Curadores da UFRJ, que tem a última palavra nesse processo, já aprovou o edital. Resolvemos estender a consulta ao Conselho Universitário para que toda a comunidade avalie o projeto. Se alguém pedir vistas ao processo, a tramitação será concluída na reunião seguinte, no dia 10. A gestão do espaço ficará com a iniciativa privada, mas teremos direito à realização de alguns eventos em períodos estabelecidos em contrato — disse a reitora.

A concessionária também terá outras atribuições. O edital prevê, por exemplo, que o prédio do antigo Canecão será demolido. Apenas o painel Santa Ceia, feito pelo cartunista Ziraldo em 1967, será mantido. No entorno, haverá espaços para exposições alusivas ao trabalho do cartunista. Outra intervenção prevê a construção de uma nova rua de acesso de veículos até a casa de espetáculos. Para isso, a empreiteira usará parte do terreno onde hoje existe um campo de futebol no campus da Praia Vermelha.

— Essa nova via servirá apenas para embarque e desembarque de frequentadores. O centro de eventos não terá estacionamento para reduzir o impacto no trânsito — explicou a reitora.

O presidente da Associação de Moradores da Rua Lauro Muller, Abílio Tozzini, diz que a entidade acompanha com atenção o plano da UFRJ. Ele avalia que esse projeto é mais factível do que outros planos que foram anunciados no passado para o campus. Em 2019, a universidade chegou a estudar a construção de pelo menos mil apartamentos em prédios espalhados pelo campus, ideia que foi abandonada pela atual gestão.

— Queremos participar da discussão de um plano de impacto de vizinhança para minimizar o transtorno dos moradores. Avaliamos que o novo espaço deveria ter estacionamento — afirmou Tozzini.

O próprio projeto da arena teve modificações. Originalmente, o imóvel teria um espaço com capacidade para até 1,5 mil espectadores e estacionamento. Os planos mudaram por uma série de fatores, incluindo a necessidade de rebaixar o lençol freático, o que dificultaria a construção de uma garagem subterrânea.

Os detalhes do edital ainda estão sendo fechados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que é responsável pela modelagem. Uma das cláusulas deverá exigir do novo gestor experiência na administração de arenas. O custo estimado é de mais de R$ 100 milhões.

Concebido inicialmente como uma cervejaria (daí o nome Canecão), a casa de espetáculos foi aberta em 1967 e recebeu os principais nomes da MPB em quatro décadas. Endividada e alvo de um mandato de reintegração de posse pela UFRJ, o espaço fechou as portas de vez em 2010. Desde então, está abandonado.