Conselho de Ética aprova cassação do mandato de Flordelis

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Deputada Flordelis tem foro privilegiado e só pode ser presa com autorização da Câmara - Foto: Cleia Viana/ Câmara dos Deputados
Deputada Flordelis tem foro privilegiado e só pode ser presa com autorização da Câmara - Foto: Cleia Viana/ Câmara dos Deputados
  • Conselho de Ética aprovou cassação do mandato da deputada Flordelis

  • Acusada de mandar matar o marido, ela não foi presa porque possui imunidade parlamentar

  • Decisão agora será votada no plenário da Câmara

O Conselho de Ética da Câmara decidiu nesta terça-feira (8), por 16 votos a 1, cassar o mandato da deputada Flordelis (PSD-RJ), acusada de ser mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, em junho de 2019. A decisão ainda precisa ser votada no plenário da Câmara.

A pastora não foi presa porque possui imunidade parlamentar. Desde outubro do ano passado, ela é monitorada por uma tornozeleira eletrônica por decisão da Justiça do Rio. Caso tenha o mandato cassado, Flordelis poderá ser presa.

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Flordelis foi acusada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro de ser a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo. Ele foi morto a tiros no dia 16 de junho de 2019, na garagem de sua casa no bairro de Pendotiba, em Niterói. Flordelis não foi presa pois ocupa um mandato na Câmara dos Deputados, que deve analisar pedido judicial de afastamento da deputada.

Os deputados aprovaram o relatório do deputado Alexandre Leite (DEM-SP), apresentado na última semana. O único deputado que votou a favor da Flordelis foi Márcio Labre (PSL-RJ).

Antes da votação, Flordelis negou o crime e pediu para que os deputados não votassem a favor da cassação. "Mesmo que não acreditem na minha inocência, peço que parem de me aviltar e me permitam um julgamento digno", disse.

"Eu não matei meu marido, eu não matei Anderson do Carmo. Não mandei matar meu marido, não avalizei nenhum dos meus filhos a praticarem tal crime."

"Disputa de poder"

O relator destacou que o papel do Conselho de Ética é preservar a imagem do Legislativo e dar uma resposta à sociedade. Na leitura do voto, ele fez um resumo dos crimes e do histórico dos familiares envolvidos no processo.

Para o relator, Alexandre Leite (DEM-SP), o assassinato teria sido motivado pela disputa de poder, já que Anderson exerceria o mandato no lugar de Flordelis, eleita pelo Rio de Janeiro, sendo conhecido como “o 514º parlamentar”. Segundo o relatório, ela apresentou 129 proposições em 2019 — quando o marido ainda estava vivo —, das quais seis foram relatadas. O número despencou para 15 no ano seguinte e nenhuma chegou à relatoria. Em 2021, só houve uma proposição.

A denúncia contra Flordelis foi apresentada pelo deputado Léo Motta (PSL-MG) à Mesa Diretora da Câmara justificando que a parlamentar praticou “atos incompatíveis com o decoro parlamentar”. No documento, o deputado citou o inquérito da Polícia Civil do Rio no qual Flordelis foi apontada como mandante da morte do marido, o pastor Anderson do Carmo, em junho de 2019.

A representação contra Flordelis ficou parada durante quatro meses porque o Conselho de Ética estava desativado em razão da pandemia do novo coronavírus. A Mesa Diretora tinha decidido, em outubro, que enviaria o caso para o colegiado, mas isso só aconteceu em fevereiro, quando o conselho voltou a funcionar.

Flordelis é acusada de ser mandante da morte do marido, o pastor Anderson. A Justiça já decidiu levá-la a júri popular pelo crime. Sua defesa ainda recorre da decisão, por isso não há previsão de data para o julgamento ocorrer.

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