Conselho de medicina deve acelerar cassação de anestesista preso por estupro no RJ

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A cúpula do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) estuda acelerar o processo de investigação e julgamento do médico anestesista Giovanni Quintella Bezerra, preso em flagrante por estuprar uma paciente no momento em que ela passava por uma cesárea. O episódio causou revolta e estarrecimento entre dirigentes da entidade.

O Cremerj deve instaurar um processo ético-profissional, que pode resultar na cassação do registro de Giovanni Bezerra. A duração máxima para a conclusão desse procedimento é de 180 dias.

"É um compromisso meu e dos conselheiros usarmos todas as medidas para acelerar esse trâmite para que possamos finalizar esse processo no menor prazo possível, sem demorar um minuto a mais do que o necessário", diz o presidente da entidade, o médico Clovis Bersot Munhoz.

Assim que recebeu a denúncia, a entidade já abriu um outro processo para suspensão imediata do anestesista. "O cuidado que estamos tendo é para que ele fique afastado até que possa ser instaurada a sindicância e todos os ritos exigidos pelo processo ético-profissional", explica Munhoz à reportagem.

O presidente da entidade usa o termo "horror" para classificar o episódio. "Não há outro adjetivo para descrever o que ocorreu em uma profissão que deve primar pela ética e pelo respeito, pela ajuda emocional, física e psicológica que um médico deve dar aos seus pacientes", diz ele.

"Sou formado há mais de 40 anos. Não tenho conhecimento [de algo parecido] nem antes de entrar para o Cremerj nem durante o meu período de conselheiro e presidente. Nunca vi nada que se aproximasse dessa atitude", diz Munhoz. Ele atua na entidade desde 2018, sendo presidente desde fevereiro deste ano.

A prisão de Giovanni Quintella Bezerra foi realizada depois que funcionários do Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti, município na Baixada Fluminense, filmaram o anestesista colocando o pênis na boca da paciente durante a cirurgia.

O suspeito foi indiciado por estupro de vulnerável, cuja pena varia de 8 a 15 anos de prisão. Em nota, o advogado Hugo Novais, que defende o anestesista, disse que se manifestará sobre a acusação após ter acesso aos depoimentos e outros elementos de prova apresentados na audiência de custódia.

O Cremerj diz estar à disposição da vítima para qualquer tipo de ajuda. "Expressamos nosso sentimento de revolta e de lamento diante do que aconteceu", acrescenta Munhoz.

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