Otan e Rússia debatem divergências sobre segurança e a crise na Ucrânia

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Representantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da Rússia discutiram suas diferenças sobre segurança frente a frente em Bruxelas nesta quarta-feira(12), em uma reunião que não obteve avanços concretos para desarmar a crise na fronteira russo-ucraniana.

No final do dia de diálogo, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, observou "diferenças significativas" difíceis de superar.

"Existem diferenças significativas entre os aliados da Otan e da Rússia sobre essas questões e as diferenças não serão fáceis de superar, mas é um sinal positivo que todos os aliados da Otan e da Rússia estejam sentados à mesma mesa", disse ele.

Segundo Stoltenberg, a Otan propôs ao lado russo uma série de reuniões temáticas, mas os enviados de Moscou afirmaram que precisariam de tempo para uma resposta.

"A Rússia não estava em condições de aceitar a proposta. Eles também não a rejeitaram, embora a delegação russa tenha deixado claro que precisa de tempo para retornar à Otan com uma resposta", disse ele.

"E é claro que nesse momento estaremos prontos para sentar" à mesa, acrescentou.

No entanto, Stoltenberg argumentou que a Otan não fará concessões fundamentais ou aceitará que a Rússia tenha poder de veto sobre qual país pode se juntar à aliança militar.

"A Ucrânia é uma nação soberana, tem o direito de se defender. E a Ucrânia não é uma ameaça para a Rússia. A Rússia é a agressora. A Rússia já usou a força e continua a fazê-lo contra a Ucrânia", acrescentou.

- Reduzir as tensões-

A subsecretária de Estado americana, Wendy Sherman, disse que a Rússia participou do encontro "para apresentar as suas preocupações" em matéria de segurança, mas que agora Moscou tem o desafio de responder à oferta lançada pela Otan de realizar uma série de de encontros temáticos.

A ideia, disse a funcionária, é convencer a Rússia a "reduzir a tensão, escolher o caminho da diplomacia, permanecer comprometida com um diálogo honesto e recíproco, para que juntos possamos identificar soluções".

A cooperação entre a Otan e a Rússia, que estava congelada desde 2014, foi interrompida em outubro, quando a Otan expulsou oito diplomatas russos de suas instalações. Em resposta, Moscou decidiu fechar seu escritório de representação para a aliança militar. Diante da crise na Ucrânia, as partes concordaram em reativar este Conselho OTAN-Rússia, como forma de restabelecer um canal de diálogo.

Nesta reunião, a Rússia foi representada pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Alexander Grushko, que a descreveu como o "momento da verdade" nas relações entre a Rússia e a Otan.

Sherman informou os aliados da Otan na terça-feira sobre as conversas que manteve em Genebra na segunda-feira com o vice-chanceler russo, Sergei Riabkov.

As conversas mantidas por Sherman e Riabkov em Genebra foram inconclusivas, pois por enquanto russos e americanos permaneceram firmes em suas respectivas posições.

A Rússia, por exemplo, exigiu dos Estados Unidos e de seus aliados uma garantia concreta de que a Ucrânia não ingressará na Otan.

Os americanos não fizeram concessões, mas fizeram propostas para reduzir os riscos de conflito e iniciar o desarmamento convencional e nuclear, explicou a nova embaixadora dos EUA na Otan, Julianne Smith.

Nesse cenário, Washington teria garantido a Moscou que não tem intenção de colocar armas ofensivas na Ucrânia, mas negou qualquer intenção de realizar uma desmilitarização na Europa, disse um diplomata europeu.

"Não há motivos para otimismo, mas os russos estão seriamente envolvidos na sequência diplomática", disse à AFP o representante de um país europeu.

Nesta mesma quarta-feira, o porta-voz do governo russo Dmitry Peskov disse que a política de "portas abertas" adotada pela Otan e a expansão da aliança militar transatlântica para o leste são "ameaças" para a Rússia.

"É exatamente o que estamos pedindo que eles interrompam, através de garantias obrigatórias", disse ele.

Em Bruxelas, Stoltenberg e Sherman reiteraram que uma possível ação militar russa contra a Ucrânia teria um "alto custo" para Moscou.

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