Conselho de Segurança da ONU se reúne para abordar golpe em Mianmar

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(Arquivo) A embaixadora britânica na ONU, Barbara Woodward

O Conselho de Segurança da ONU se reuniu com urgência nesta terça-feira (2) a portas fechadas para abordar o golpe de Estado militar em Mianmar e adotar, se a China aceitar, uma declaração comum para exigir o retorno dos civis ao poder.

A reunião, impulsionada pelo Reino Unido, começou às 10h00 (12h00 em Brasília).

"Um comunicado ainda está sendo discutido", confirmou outro diplomata, também sob condição de anonimato.

De acordo com um documento recebido pela AFP, que não menciona qualquer sanção, o texto expressa a "profunda preocupação" gerada pela situação em Mianmar, condena "o golpe militar" e exige a "libertação imediata" das pessoas detidas ilegalmente no país. O Conselho também poderia exigir o fim do do estado de emergência declarado por um ano.

Antes do início das negociações, a China, principal apoiadora de Mianmar e um país chave para o consenso no Conselho de Segurança com poder de veto, conseguiu manter a reunião fora do público, comentou um diplomata à AFP sob condição de anonimato.

Durante a crise dos muçulmanos rohingya em Mianmar, que são vítimas de um "genocídio" desde 2017, segundo a ONU, Pequim se opôs a todas as iniciativas do Conselho de Segurança, impedindo declarações comuns e até mesmo reuniões sobre o assunto.

Pequim alegou então que o conflito com a minoria muçulmana era um assunto interno do país.

Na segunda-feira, o Ministério das Relações Exteriores reagiu ao golpe de Estado pedindo aos birmaneses que resolvessem "seus desacordos no âmbito da Constituição e das leis", coincidindo com uma posição manifestada pela ONU.

Nesta terça-feira, o mesmo ministério, no entanto, pediu à comunidade internacional para não "complicar ainda mais a situação" em Mianmar.

- "O diálogo continuará" -

Durante a reunião, os 15 membros do Conselho, que se comunicam por videoconferência devido à pandemia de coronavírus, vão assistir primeiro a um relatório sobre a situação por parte da enviada da ONU para Mianmar, a suíça Christine Schraner Burgener.

Schraner "condenou veementemente as últimas decisões tomadas pelos militares birmaneses", segundo o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric.

"Ela pediu aos membros do Conselho que enviassem coletivamente uma mensagem clara de apoio à democracia em Mianmar", acrescentou.

A embaixadora britânica na ONU, Barbara Woodward, presidente em exercício do Conselho de Segurança em fevereiro, falou no final da reunião "a título nacional" para dizer que se esperava que o Conselho fosse "capaz de falar a uma só voz" sobre a situação em Mianmar.

Os militares "devem respeitar o Estado de Direito e libertar todos aqueles que foram presos arbitrariamente com efeito imediato", afirmou a alguns jornalistas.

"As discussões continuarão entre os membros do Conselho", ressaltou a diplomata britânica.

Em declarações, a Anistia Internacional e a Human Rights Watch apelaram nesta terça-feira para que o Conselho de Segurança tome um posicionamento firme.

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