Consequências da guerra da Ucrânia no mundo se agravam, alerta Guterres

As consequências da invasão russa da Ucrânia se agravam no mundo e afetam 1,6 bilhão de pessoas, alertou nesta quarta-feira (8) o secretário-geral da ONU, António Guterres, ao apresentar o segundo boletim da organização sobre as repercussões internacionais do conflito.

"O impacto da guerra na segurança alimentar, na energia e nas finanças é sistêmico, grave e se acelera", alertou.

"A guerra ameaça gerar uma onda sem precedentes de fome e miséria, deixando um rastro de caos social e econômico no mundo inteiro", afirmou o chefe da ONU.

Ele alertou que se atualmente a crise alimentar corresponde à "falta de acesso" aos alimentos, no ano que vem poderia se dever diretamente à "falta de alimentos".

"Só há uma forma de deter esta tempestade que se forma: a invasão russa da Ucrânia deve parar", afirmou Guterres.

Ele disse ser "essencial" que cheguem a um bom destino as negociações que a ONU antecipa para garantir "as exportações de alimentos produzidos na Ucrânia pelo mar Negro e o acesso sem entraves aos mercados mundiais para os alimentos e os fertilizantes russos".

"Este acordo é essencial para centenas de milhões de pessoas nos países em desenvolvimento, entre eles na África subsaariana", disse, sem dar detalhes sobre o estado destas tratativas, até o momento sem resultados visíveis.

Segundo o relatório da ONU, "94 países que abrigam cerca de 1,6 bilhão de pessoas estão gravemente expostos a pelo menos uma das dimensões da crise (finanças, alimentação ou energia)" e são "incapazes enfrentá-la".

Deste 1,6 bilhão de pessoas, "três quartos vivem em países gravemente expostos e vulneráveis simultaneamente às três dimensões", destaca o documento, assegurando que no futuro "nenhum país ou comunidade estará livre desta crise do custo de vida".

- Insegurança alimentar -

A "guerra poderia aumentar o número de pessoas em situação de insegurança alimentar de 47 milhões em 2022 para 323 milhões no fim do ano".

Na América Latina, as regiões mais afetadas seriam a América Central e as ilhas do Caribe, pois já vivem uma "tempestade perfeita" na qual só terão dificuldades com acesso aos alimentos, mas também a energia e problemas financeiros, disse a principal encarregada do informe, Rebeca Grynspan, em coletiva de imprensa.

Na África, "até 58 milhões poderiam se somar este ano à pobreza", segundo o informe, que vaticina que a pobreza extrema no Oriente Médio e o norte da África "poderia afetar 2,8 milhões de pessoas a mais em 2022".

No sudeste asiático, "500 milhões de pessoas estão gravemente expostas às dimensões alimentar e financeira" da crise, uma situação "agravada pelas fortes ondas de calor que afetam os cultivos da região", segundo a ONU.

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