'Consequências devastadoras': organização pede apoio psicológico para pais com bebês prematuros

·3 min de leitura
Seth envolto com tubos e fios
Ter um bebê prematuro é como uma 'montanha-russa de emoções', diz a mãe de Seth

Quando Ceri Roberts viu o filho recém-nascido pela primeira vez, não foi da forma que imaginava.

Seth nasceu nove semanas antes do esperado e só podia ser visto em meio a tubos, fios e uma máscara de oxigênio dentro de uma incubadora.

"Foi uma montanha-russa de emoções", lembra Ceri, 35 anos, moradora de Bangor, no País de Gales, Reino Unido.

Seth hoje tem seis anos, é saudável e está indo à escola, junto com o irmão Aron, 4 anos, que também nasceu prematuro. O caçula nasceu com 35 semanas, graças à intervenção de especialistas, já que Ceri entrou em trabalho de parto com 27 semanas da gravidez de Aron.

Ceri sorri com o marido e os dois filhos em um parque
Ceri sorri com o marido e os dois filhos; ela defende que famílias como a dela tenham grupos de apoio e suporte psicológico para lidar com nascimentos prematuros

A Bliss, uma organização sediada na Inglaterra e dedicada aos cuidados de bebês nascidos prematuros ou doentes, está se mobilizando para alertar sobre a atenção que famílias como a de Ceri devem ter.

"Quando um bebê nasce prematuro ou doente e precisa de cuidados neonatais, os pais costumam vir até nós, na Bliss, e descrever que seu mundo virou de cabeça para baixo", disse a diretora de pesquisa e políticas da organização, Josie Anderson.

"Isso traz um enorme volume de ansiedade e estresse às famílias."

A Bliss classifica como "irregular" o suporte psicológico dado aos pais nestas situações e aponta que famílias com nascimentos prematuros podem ter maior propensão à depressão pós-parto e ao estresse pós-traumático.

"As consequências de longo prazo para as famílias podem ser realmente devastadoras."

'Muito assustador'

Ceri sentada com bebê Seth no hospital, com marido ao lado sorrindo para foto
Ceri lembra que ela e o marido só podiam ver Seth em momentos cronometrados durante os dois meses que o bebê ficou internado

Ceri Roberts concorda que famílias nestas circunstâncias necessitam de atenção especial. Ela e o marido, por exemplo, viveram dois delicados meses morando em acomodações no hospital, enquanto o primogênito Seth estava internado.

"Senti que a gravidez, o parto e o nascimento prematuro de Seth e Aron, que ter passado um tempo no hospital, foi difícil e diferente dos meus amigos e parentes que têm filhos", diz a mãe.

"Eles podiam voltar para casa (depois do parto), as pessoas podiam ir na casa deles visitá-los, enquanto nós estávamos no hospital, restritos a horários de visita."

"Ao ver Seth pela primeira vez, ele era um pacotinho em uma incubadora enorme, cheio de tubos, fios e uma máscara. Foi muito, muito assustador."

"Eu estava muito feliz por ter um filho e queria compartilhar isso com o mundo. Mas então vinha a preocupação: 'Ele vai ficar bem? Terá algum problema?'"

"Quando Seth ficou na unidade semi-intensiva por algumas semanas, apenas os avós podiam ver-lo. Então, isso foi muito difícil."

Ela elogiou o apoio que recebeu da equipe do hospital, mas diz que poderia haver uma maior estrutura de apoio, como clubes de pais e filhos que tenham nascido prematuros.

No País de Gales, onde Ceri vive, cerca de 8% dos nascimentos são prematuros, segundo a organização Bliss.

Seth olha sorrindo para Aron, que está na incubadora
Tanto Seth quanto Aron nasceram prematuros; hoje, eles estão bem

No Brasil, uma pesquisa com dados referentes a 2010 estimou que 11,7% dos partos foram de crianças prematuras. O levantamento foi realizado pela Universidade Federal de Pelotas com outras 12 universidades brasileiras, além do apoio do Ministério da Saúde e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Em sua difícil jornada, Ceri Roberts aprendeu que celebrar alguns marcos é importante.

"Comemoramos quando ele (Seth) conseguiu dormir sem máscara de oxigênio ou quando consegui vesti-los pela primeira vez."

"Pequenos marcos como esse foram grandes conquistas para nós como família."

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