Considerado o melhor violinista do mundo, aos 37 anos, o russo Maxim Vengerov se apresenta no Teatro Municipal

RIO - Oluthier italiano Antonio Stradivari (1644-1737) produziu um violino inigualável: o Stradivarius. Seu som cristalino, que atinge notas em frequências que outros violinos são incapazes de alcançar, deixou um mistério que segue até hoje, três séculos após a morte de seu criador. Cientistas, músicos e plateias continuam sem entender por que o instrumento é tão magnífico. Porém, a excelência do violino que atingiu o status de obra de arte de nada adiantaria se não houvesse um músico à altura de sua perfeição. Um de seus raríssimos exemplares pertence ao russo Maxim Vengerov - considerado por muitos o melhor violinista do mundo. A joia, avaliada em R$ 3 milhões, será tocada amanhã, às 19h, no Teatro Municipal, em concerto único.

- É um instrumento que nunca mais será feito, uma preciosidade - diz Vengerov. - Beethoven e Paganini ouviram este violino sendo tocado. O valor atribuído a ele é simbólico. Ele não tem preço.

Itamar Golan ao piano

Vengerov e seu Stradivarius estiveram no Rio pela última vez em 2007. Hoje, o russo vai fazer com que as cordas de seu instrumento ressoem os acordes de um programa escolhido para impressionar: "Partita para violino solo nº 2 em dó menor", de Bach; "Grand duo em lá maior", de Schubert; e "Sonata nº 9 para violino, 'Kreutzer', Op. 47", de Beethoven.

- Esta peça de Beethoven é linda, dramática, muito poderosa. Exige virtuosismo. Já Schubert fez uma das peças mais magníficas para piano - afirma o russo, que no concerto será acompanhado pelo aclamado pianista israelense Itamar Golan. - E Bach criou uma obra-prima para violino solo. Escolhi esse programa para mostrar ao público a magia dessas composições.

Hoje com 37 anos, Vengerov, fez seu primeiro concerto aos 5. Assediado pela imprensa internacional, diz estudar só duas horas por dia por conta de suas atividades como professor da Royal Academy of Music, em Londres - onde mora -, e da Academia Real de Música da Suíça.

- Para mim, o que diferencia um bom músico de um músico extraordinário é a paixão e a energia depositadas na música - diz Vengerov. - Nunca fui forçado a tocar. Sempre toquei como se fosse minha primeira vez. Acho que, fora a técnica e a dedicação, é claro, o segredo está aí. Ainda sinto frio na barriga quando subo ao palco. Tive a sorte de estudar com alguns dos maiores maestros do mundo, e meu papel é continuar a tradição.

Em 2010, o russo sofreu uma contusão no ombro enquanto se exercitava na academia, o que o levou a fazer uma cirurgia. Muitos acharam que Vengerov nunca mais tocaria da mesma forma. Mas o violinista se superou. Há dois anos, passou a tocar ainda melhor.

- Foi uma verdadeira bênção. Acho que isso se deve ao fato de, nesse período em que fiquei em recuperação e não pude tocar, ter começado a estudar regência. Tornar-me maestro contribuiu imensamente para a minha carreira de violinista. Hoje toco muito melhor.

A respeito de suas interpretações, que combinam "leveza e virtuosismo", como escreveu o crítico de música clássica do "New York Times", Jeremy Eichler, Vengerov responde:

- O que quero transmitir é a mensagem do compositor. Eles não estão mais vivos. Então, o músico precisa fazer o link perfeito e trazer a mensagem ao público. Neste sentido, os músicos são muito importantes. Minha filosofia é estudar, esquecer o que aprendi, sentir e criar em cima.

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