Considerado uma milícia, grupo 300 do Brasil é criticado por ato de simbologia racista

Com máscaras e tochas, grupo 300 do Brasil faz ato contra STF (Foto: Reprodução/Instagram)

Na noite de sábado (30), o grupo que se autodenomina “300 do Brasil”, embora formado por uns poucos manifestantes - incluindo a ativista Sara Giromini, que se autoapelida Winter -, seguiu com tochas e máscaras para a frente do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. 

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“Viemos cobrar, o STF não vai nos calar… Ministro, covarde, queremos liberdade”, gritavam contra o ministro Alexandre de Moraes, que conduz o inquérito das fake news, do qual Sara foi alvo na última semana, quando apreenderam seu celular e notebook.

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No meio político, o protesto do movimento foi duramente criticado, principalmente por lembrar atos supremacistas brancos nos Estados Unidos.

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O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), considerou como “grave” a manifestação.

“É grave, um grupo minoritário, racista, com esse simbologismo da Ku Klux Klan. É inaceitável isso. Intimidar o STF pelas decisões que ele toma? As instituições não devem e não podem aceitar o que está acontecendo”, afirmou Rodrigo Maia.

O senador Álvaro Dias (Podemos-PR) também criticou a manifestação de sábado do grupo.

“Marcha da insensatez, da intolerância, da ignorância e da estupidez”, afirmou o senador. “O Brasil quer avançar na paz e na democracia”, completou.

A deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) defende que as instituições devem responder às atitudes anti-democráticas. Ela acredita, inclusive, que o discurso está se radicalizando ainda mais.

“Ver um protesto imitando a Ku Klux Klan em frente ao STF e nada ser feito e, ao mesmo tempo, a polícia atacando atos antifascistas em São Paulo e no Rio de Janeiro é o retrato da tragédia que estamos passando. O Brasil precisa dar uma resposta à altura em oposição ao recrudescimento do autoritarismo e repudiar a ameaça de criminalização dos movimentos antifascistas e pró-democracia”.

QUEM SÃO OS “300 DO BRASIL”

Trata-se de um acampamento de cerca de 20 pessoas nos arredores da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, que se intitula “300 do Brasil”, em referência ao filme 300, que retrata a vitória de 300 soldados espartanos contra 30 mil soldados do exército persa. O movimento estimula a desobediência civil e apoia o presidente Jair Bolsonaro. 

O Ministério Público do Distrito Federal classificou os ativistas como uma “milícia”.

Sara Winter afirmou à imprensa que membros do grupo contavam com armas para defesa pessoal. O Ministério Público do DF então pediu a realização de busca e apreensão atrás de supostas armas ilegais de seus membros. Os promotores também solicitaram a desmobilização do acampamento. 

No entanto, a Justiça do Distrito Federal negou a ação, alegando que a apreensão de armas não demanda interferência do Poder Judiciário e que o governo local estaria tomando as devidas precauções. Além disso, justificou que protegia a liberdade de manifestação e de reunião.

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga para identificar e qualificar o papel de cada integrante no movimento. Os investigadores pretendem determinar como funciona a logística, administração e de onde vem o dinheiro que financia o acampamento.

INQUÉRITO DAS FAKE NEWS

A líder do grupo, Sara Winter, também é investigada por disseminação de notícias falsas na internet.

Intimada pela Polícia Federal para prestar depoimento nesta quarta-feira (3), ela avisou que não comparecerá.

"A PF acabou de sair da minha casa, entraram ILEGALMENTE, NÃO SE IDENTIFICARAM e vieram deixar uma intimação para depor daqui a dois dias, EU NÃO VOU! Vão me prender? Me tratar como bandido? Vão ter que se prestar a isso!", afirmou no Twitter.

Após ser alvo de operação da Polícia Federal, na semana passada, tuitou: “Moraes, seu covarde, você não vai me calar!” Em um vídeo que circula nas redes sociais, ainda prometeu “infernizar a vida” de Alexandre de Moraes.

“Queria trocar soco com esse filho da puta, infelizmente não posso. Você me aguarde, Alexandre de Moraes. Você nunca mais vai ter paz, a gente vai infernizar a sua vida, vamos descobrir os lugares que o senhor frequenta, a gente vai descobrir quem são as empregadas domésticas que trabalham para o senhor…Vamos descobrir tudo até o senhor pedir para sair. O senhor tomou a pior decisão da vida do senhor”, disse.