Considerando estágio da Covid-19 nos países, mortalidade no Brasil é maior que na China e menor que na Europa, diz estudo

O Globo
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Cemitérios constrõem novas gavetas prevendo aumento de mortes
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No dia em que o Brasil ultrapassou a marca de 6 mil óbitos oficiais por Covid-19, cresceu a preocupação em relação ao avanço da mortalidade. O temor é de que o país, atingido mais tardiamente pelo novo coronavírus do que nações da Europa e da Ásia. alcance os mesmos patamares que alguns destes países. Um estudo comparativo divulgado nesta sexta ajuda a esclarecer em que nível ele se encontra em relação ao restante do mundo.

O artigo "Diferenças nas taxas de mortalidade por COVID-19 ao redor do mundo", publicado na Revista "Ciência e Saúde Coletiva", comparou estes índices em 78 países e territórios usando como base a taxa de mortalidade na data em que cada um deles atingiu o 10º óbito oficial por Covid-19 e nos dias seguintes. O resultado mostra que o Brasil ainda está longe de figurar na parte de cima da lista das nações com maior mortandade. Ainda assim, não há motivos para alívio.

- Os resultados brasileiros são consistentemente melhores do que a maioria dos países europeus e consistentemente piores do que a maioria dos países asiáticos - destaca o epidemiologista Pedro Hallal, autor do estudo e reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL).

Segundo ele, a data da 10ª morte como base para o estudo tem como objetivo nivelar países que estão em estágios diferentes da pandemia. Já o uso da taxa de mortalidade como referência visa evitar conclusões equivocadas que costumam ocorrer quando se compara países com populações muito diferentes.

No 10º dia após o registro da décima morte no Brasil (em 2 de abril), a taxa era de 1,13 por 1 milhão de habitantes. Neste mesmo momento, os cinco países e territórios que tinham a maior mortalidade do mundo eram todos europeus: San Marino (618,78 por 1 milhão), Andorra (336,50), Luxemburgo (65,5), Irlanda (32) e Bélgica (30).

No 20º dia após a décima morte, o Brasil seguia com índices baixos se comparados aos europeus. Enquanto por aqui a taxa era de 5,29 por 1 milhão de habitantes, San Marino (942,90) , Bélgica (175,59), Espanha (139,62), Luxemburgo (110,23) e Irlanda (89,92) ocupavam o topo.

Até este momento, o índice brasileiro era superior ao dos Estados Unidos, onde a taxa de mortalidade 20 dias após o 10º óbito (registrado em 5 de março) era de 2,42 por 1 milhão de habitantes. A partir do dia 30º dia, no entanto, os resultados americanos dispararam.

Índice baixo na China

Neste sábado, o Brasil irá completar 40 dias após a 10ª morte. A taxa brasileira é de 27,76 (o artigo foi publicado antes da divulgação dos dados desta sexta). Neste mesmo momento da pandemia, Espanha e Itália registravam, respectivamente, 274,54 e 262,79. Nos Estados Unidos, ela era de 71,45. Ou seja: 2,5 vezes maior que a brasileira. Já a China, que chegou a ser o epicentro da crise de coronavírus, registrava apenas 2,02 mortes por 1 milhão de habitantes.

- Os resultados aqui apresentados são decorrentes de estratégias corretas adotadas, especialmente quanto ao início precoce do distanciamento social no Brasil. Mas caso elas sejam revertidas, a mortalidade no Brasil pode rapidamente crescer. Como ocorreu nos Estados Unidos, por exemplo - conclui Hallal.