Consistência defensiva, ataques avassaladores e poder de decisão: o que esperar das seleções europeias classificadas à Copa do Mundo de 2022

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Das dez seleções classificadas para a Copa do Mundo do Qatar via eliminatórias europeias, as que mais sofreram com derrotas ao longo da competição foram Alemanha, Croácia, Holanda, Dinamarca e Espanha. Todas com o "impressionante" numero de um revés na conta. Não é novidade no futebol que a construção de uma defesa sólida é um grande passo para o sucesso em competições de pontos corridos, como é o caso da qualificação no continente. Não à toa, sete das dez melhores defesas são de equipes que garantiram o carimbo no passaporte para o Qatar.

Bélgica, Croácia, Dinamarca, Inglaterra, França, Alemanha, Holanda, Sérvia, Espanha e Suíça fecharam a lista de seleções europeias diretamente classificadas à Copa do Mundo após o fim da fase principal das eliminatórias, nesta terça-feira. Já Itália, Portugal, Rússia, Escócia, Suécia, País de Gales, Áustria, Macedônia do Norte, Turquia, Polônia, Ucrânia e República Tcheca disputam a repescagem em busca das três últimas vagas no Mundial.

A segunda melhor defesa da competição, ironicamente, não resistiu e caiu para a repescagem. Os dois gols sofridos pela atual campeã da Euro Itália foram suficientes para mergulhar uma equipe que vivia a fama de sensação até poucos meses atrás em um mar de incertezas sobre a presença no Mundial. As redes italianas foram vazadas em empates contra a Bulgária, na quarta rodada, e contra a Suíça, na nona — resultado que foi crucial para a posterior classificação dos suíços na última rodada.

Aliar a segurança com o poder de decisão foi uma das chaves para o sucesso nessas eliminatórias europeias, tal qual foi para a Azzurra na campanha do título da Euro. Mas na Copa do Mundo, um torneio de tiro curto, com apenas três partidas em fase de grupos, a balança se desequilibra para o segundo. É preciso ser efetivo, cirúrgico. Como foram Sérvia e a atual vice-campeã mundial Croácia, que venceram confrontos diretos e decisivos contra Portugal e Rússia, respectivamente, para garantir suas vagas na última rodada e empurrar os rivais para a repescagem.

— Eles estavam absolutamente convictos que venceríamos. É um choque brutal o que aconteceu, especialmente para os mais jovens — afirmou o técnico português Fernando Santos após a queda para os sérvios, que teve gol da virada (2 a 1) de Mitrovic no último minuto.

Na Copa da Rússia, sete das 16 partidas de mata-mata foram decididas por apenas um gol. Outras quatro terminaram em empates e foram aos pênaltis, enquanto as demais não ultrapassaram os dois gols de diferença. Um cenário que não se limita ao Mundial: as duas últimas Champions League foram decididas em vitórias apertadas por 1 a 0. Os grandes troféus têm uma curta margem de erro.

Placares elásticos

Ainda que a precisão dite o tom das grandes competições, as eliminatórias europeias foram palcos de placares elásticos. Melhores ataques, Inglaterra (39 gols, 12 do artilheiro Harry Kane) e Alemanha (36) inflaram seus números com goleadas por 10 a 0 e 9 a 0 sobre as frágeis San Marino e Liechtenstein. Um retrato da disparidade de níveis entre as seleções do torneio, mas também de equipes entrosadas e dominantes. Favoritos desde a chegada de Hansi Flick, que substituiu Joachim Low e reconstruiu a seleção com o melhor início de um técnico em sua história, os alemães retomaram o futebol organizado e intenso, com campanha de nove vitórias em dez jogos disputados. Os ingleses, por outro lado, mantiveram Gareth Southgate e tentam dar continuidade ao bom ano de 2021, que teve vice-campeonato da Euro.

— Uma nova era começou em setembro (estreia de Flick). Isso não acontecia na Alemanha desde 2006. Dá para ver como jogamos bem nos últimos três meses. Queremos crescer a partir disso — disse o atacante Thomas Muller após a vitória sobre a Armênia (4 a 1) no domingo, que manteve os 100% de aproveitamento do treinador.

A Holanda, que garantiu a classificação na terça-feira, tem o terceiro melhor ataque, com 33 gols. No melhor estilo franco-atiradora, a Laranja encontrou em Louis van Gaal uma solução para a saída de Frank de Boer após o desempenho ruim na Euro. Mesmo com a segunda pior defesa entre os classificados (oito gols sofridos, contra nove da Sérvia), superou o trauma de ficar de fora em 2018 com brilho do artilheiro Depay (12 gols). Já a Dinamarca, autora de 30 gols, se beneficiou de um grupo tranquilo, com Áustria e Escócia como principais concorrentes, para se tornar a segunda equipe a se classificar. Tanto holandeses quanto dinamarqueses, que vêm construindo uma equipe sólida desde a campanha de semifinal da Euro, podem pintar como surpresas no Qatar.

Os números, porém, nem sempre contam a história da melhor forma. Atual campeã mundial e da Liga das Nações, a França, terceira melhor defesa, fez o dever de casa para garantir sua vaga, assim como a Bélgica. Duas seleções que ainda colhem os frutos de gerações brilhantes, mas não fizeram campanhas grandiosas ou de estatísticas ofensivas assombrosas em relação aos feitos das rivais classificadas. Não há quem duvide, entretanto, que cheguem como candidatas ao título no Qatar. Assim como a Espanha, que aproveitou-se de um resultado desastroso da Suécia na penúltima rodada e arrematou sua vaga em confronto direto. O divertido time espanhol gosta de escrever certo por linhas tortas: irregular, desacreditado e em transição de gerações, por pouco não estragou o conto de fadas italiano na Euro.

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