Construções emblemáticas da Zona Sul, como Teatro Villa-Lobos, preocupam por abandono

Larissa Medeiros*
·3 minuto de leitura

RIO — Em vez de causar olhares de admiração, construções emblemáticas de Copacabana e Botafogo são sinônimo de preocupação para moradores e quem circula pelos bairros, devido à falta de conservação. Entre estas edificações estão o Teatro Villa-Lobos, na Avenida Princesa Isabel, em Copacabana, e um casarão na esquina das ruas Dona Mariana e São Clemente, em Botafogo.

A jornalista Renata Ferreira, que mora perto do Villa-Lobos, administrado pela Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (Funarj), conta que guarda boas recordações do teatro, onde costumava assistir a espetáculos nos anos 1990. Um cenário bem diferente daquele que observa hoje.

— O teatro era lindo, tinha um palco enorme. Hoje está destruído. É um crime o estado abandonar aquele espaço. Ele poderia ser utilizado para promover cursos e várias outras atividades culturais e educacionais voltadas para as classes menos favorecidas — sugere.

Renata conta que já ouviu relatos dando conta de que criminosos e moradores de rua se refugiam no Villa-Lobos.

— Eu tenho medo de passar por ali. Já ouvi e li relatos sobre invasões. Só passo por lá de carro ou de ônibus, nunca a pé — diz.

A situação é similar nos arredores de um casarão na altura do número 230 da Rua São Clemente, em Botafogo, em frente ao Colégio Santo Inácio, do qual apenas a estrutura está preservada. Segundo Jorge Daú, morador do bairro, a falta de conservação da edificação é um problema antigo:

— A última obra que vi foi em 2013. O escoramento, que foi colocado no mesmo ano, está tão ruim quanto a tela que servia para evitar que sobras do material usado na obra da casa caíssem na rua. O lugar se torna perigoso para quem passa próximo porque a pessoa pode ser atingida por algo e porque muitas vezes ele é cercado pela escuridão, porque árvores sem poda tapam a iluminação pública. Hoje o casarão mais parece um depósito de sucatas e banheiro ao ar livre.

Regina Chiaradia, presidente da Associação de Moradores e Amigos de Botafogo (AMAB), diz já ter feito várias comunicações relacionadas ao caso, sem que houvesse solução.

— A situação de abandono existe há mais ou menos dez anos. Várias pessoas já fizeram denúncias. Aquela construção, além de perigosa, tira a beleza do bairro.

Sobre o teatro, a Funarj, vinculada à Secretaria estadual de Cultura, afirma que não houve interesse nas chamadas públicas para sua reconstrução e gestão. Além disso, o estudo para uma possível parceria também não evoluiu, devido à pandemia. Sobre a presença de pessoas no local, a Funarj diz que acionou a Polícia Militar para uma vistoria e que os agentes não encontraram ninguém.

Em relação ao casarão de Botafogo, a Secretaria municipal de Urbanismo (SMU) afirma que técnicos irão até o local para fazer uma vistoria e intimar o proprietário, que terá 30 dias para se apresentar à Coordenadoria de Licenciamento e Fiscalização Urbanística do bairro.

*Estagiária, sob a supervisão de Lilian Fernandes

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)