Para construir caminhos, formigas operárias trabalham sem organização

Formigas cortadeiras em fotografia distribuída pela universidade de Northwestern, em 22 de janeiro de 2019

Não há capataz entre as formigas operárias. Esses insetos constroem seus caminhos sem receber nenhuma ordem e sem trocar informações, de acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira na revista Proceedings of the Royal Society B.

"É surpreendente, porque os comportamentos coletivos são geralmente organizados através da comunicação", disse à AFP Thomas Bochynek, da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, co-autor do estudo.

As formigas são insetos sociais e são consideradas possuidoras de inteligência coletiva.

A construção dos caminhos que a colônia usa para levar comida ao formigueiro exige milhares de trabalhadores, de acordo com o estudo.

Cada colônia pode limpar até três quilômetros de caminhos por ano, investindo coletivamente até 11.000 horas de trabalho por ano para construí-los e mantê-los.

Para entender melhor como as formigas se organizam para realizar esses trabalhos titânicos, Thomas Bochynek e seus colegas observaram formigas cortadeiras da América do Sul, in situ e em laboratório.

O que eles observaram é que não há divisão de tarefas, nem supervisor, nem coordenação.

Cada formiga resolve como bem entende os problemas que encontra, e é a soma de todas as ações individuais que permite a construção das estradas.

Uma organização totalmente diferente da humana, muito hierárquica e racionalizada.

As formigas "agem apenas de acordo com sua própria percepção dos obstáculos", diz o estudo.

Tal organização (ou melhor, a falta dela) economiza energia, porque se comunicar, seja por contato ou por feromônios (que precisa produzir, armazenar e secretar), gera gasto energético, aponta Thomas Bochynek.